Alunos do D. Maria são “uns privilegiados”, diz diretora

Os alunos da Infanta D. Maria, em Coimbra, são “uns privilegiados”, diz a diretora da secundária pública com melhores resultados nos exames nacionais. O bom desempenho da Infanta é já um “clássico”: a diretora fica contente mas sublinha que esta forma de avaliar as escolas é injusta para estudantes de zonas menos favorecidas.

“É muito importante para a escola, para os professores e os alunos”, declarou à agência Lusa Maria do Rosário Gama, frisando que os bons resultados da escola nos últimos anos revelam que “o trabalho que está a ser realizado é o adequado”.

No entanto, afirma “ser justo dizer” que a escola se insere numa zona urbana “de meio económico médio alto” e que os alunos têm apoio fora do estabelecimento de ensino, com explicações, tal como sucede na maioria das escolas dos grandes centros, uma realidade que é bem diversa noutras zonas do país.

“É injusto este ranking porque desmotiva aquelas escolas que estão mais afastadas dos grandes centros e os seus alunos que não têm as condições destes. Têm de se levantar de madrugada para ir para a escola, passam o dia na escola, regressam tarde a casa e têm de ainda trabalhar”, observou.

A diretora da Infanta D. Maria está convicta de que a criação de mega agrupamentos, que “não são bons, nem para as escolas, nem para os alunos”, irá agravar ainda mais essa injustiça.

Maria do Rosário Gama realça por isso que a avaliação de uma escola deve ter em conta “outros fatores, e não apenas os resultados dos exames”, salientando que os alunos da escola que dirige “são uns privilegiados”.

A Infanta D. Maria registou a melhor média nos exames nacionais entre as secundárias públicas onde se realizaram mais de 100 provas: 13,60 valores em 626 provas. A Matemática do 12.º ano também saltou para o topo das públicas, com uma média de 15,87 em 116 exames. Quanto a Português, é a terceira pública, alcançando a média de 13,22 em 167 exames.

Uma escola com 850 alunos, como é o caso da D. Maria, “e com a seleção feita de acordo com o que a legislação determina, pode ter alunos de todo o tipo”, o que transforma numa “numa incógnita” o resultado final dos exames, reconhece a diretora.

Maria do Rosário Gama afirma que os alunos são selecionados pela área de residência, não pelas notas, e concorda que assim seja, mas admite que “se calhar nunca possa chegar ao topo” de todas as escolas por se reger por estes critérios, distintos dos das privadas.

Olhando para os “muito bons resultados” conseguidos a Matemática, mas também em História, Física, Biologia, Economia e ainda “Português, em que melhoraram muito este ano”, a diretora considera ser uma consequência das condições da escola e das exigências de qualidade que são feitas pelos professores e pelos próprios alunos.

Os resultados demonstraram, por outro lado, que “dois fatores de perturbação” deste ano não tiveram implicações no desempenho dos alunos: as obras e mudanças de instalações e a entrada de 50 por cento de novos professores, acrescentou.

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