Festas 2010 de Montemor-o-Velho

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Foto de Mário Nicolau

 Novo modelo é mais-valia para todos

Dignidade foi a “palavra de ordem” para a organização das Festas’10, afirma Alexandra Ferreira, que não esconde as consequências do actual momento económico: adaptação do programa e menos dias de festa. “Mesmo assim, conseguimos elaborar um programa digno e atractivo”, considera.

A vereadora da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho lembra, por outro lado, a realização do Campeonato Europeu de Remo “logo de seguida”, pelo que o evento contará este ano com a presença de muitos dos atletas que poucos dias depois vão mostrar quanto valem nas provas que integram a competição.

De acordo com a estratégia do executivo, explica Alexandra Ferreira, o desporto está em destaque no programa das festas – III Troféu Internacional de Ciclismo Alves Barbosa e o Campeonato da Europa de Remo –, que conta ainda com outros eventos “muito atractivos”, nomeadamente a tourada e os concertos de Tony Carreira e Xutos e Pontapés.

No capítulo cultural, com o “precioso” contributo do movimento associativo, a gastronomia terá papel relevante na mostra de actividades, salientando a vereadora, no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto, o lançamento da Medalha 500 Anos e a realização de várias exposições.

O anúncio dos vencedores do Prémio Literário Afonso Duarte e a atribuição das bolsas de mérito artístico na área da música merecem também destaque. “Quer a cultura, quer o desporto são assumidas pelo executivo como fundamentais no desenvolvimento de Montemor-o-Velho”, afirma.

A participação do movimento associativo merece elogios da autarca e “as juntas de freguesia e as associações, afirma, “são parceiros essenciais na realização de eventos como as festas do concelho”, que este ano foram alvo de um processo de reformulação. “Tentámos criar vários sectores temáticos dentro dos núcleos expositivos desde o folclore ao desporto, passando pelo sector social, reforçando a partilha entre as instituições participantes”, referiu.

A edição de 2010 das festas do concelho fica, assim, marcada por uma “importante reestruturação” que irá influenciar positivamente a imagem do concelho. “A introdução dos sectores temáticos nos núcleos expositivos é muito proveitosa para quem nos visita e para todas as entidades que marcam presença na mostra de actividades”, assegura.

Tendo em conta o novo modelo, a expectativa de Alexandra Ferreira é proporcional à dedicação de todos os que ajudaram à concretização das festas do concelho, pelo que a autarca deseja que “o número de visitantes venha a ultrapassar o registo de anteriores edições”.

A definição do cartaz de espectáculos mereceu “especial cuidado” por parte da organização – Xutos e Pontapés e Tony Carreira – e a afluência do público, afirma a vereadora, reflectirá “com certeza o cartaz atractivo que definimos para a edição deste ano”.

Gastronomia é trunfo e tem muito para provar

Se a lampreia é rainha em Março, o “resto” da ementa assegura refeições memoráveis todo o ano. Contam-se as papas laberças, o pato à moda do Mondego, o arroz malandro de cabidela, o sarrabulho, entre outras iguarias do património gastronómico.

Para a sobremesa recomendam-se os excelentes exemplos da doçaria conventual como os papos de anjo, as barrigas de freira e as queijadas de Pereira, as espigas doces de Montemor, as queijadas e os pastéis de Tentúgal, o arroz doce e as papas de moado confeccionadas à base de sangue de porco e especiarias.

Montemor-o-Velho é terra de arroz, cultivado, segundo reza a história, no leito de cheia do Mondego, em meados do século XIX.

Porém, desde o século XV que a pesca da lampreia consta dos registos, surgindo, aliás, com uma das das iguarias preferidas da corte de D. João I.

O Festival do Arroz e da Lampreia, além de honrar a tradição, cativa anualmente os visitantes para o conhecimento aprofundado do património natural e histórico da região.

A Câmara Municipal de Montemor-o-Velho aproveita a ocasião para dar a conhecer a beleza dos campos e a actividade das quintas em “Rotas do Arroz”, que se realizam mediante inscrição prévia junto da organização do festival.

No património histórico, Montemor-o-Velho guarda marcas da ocupação árabe e da reconquista Cristã, oferecendo um roteiro medieval com passagem por vários edifícios e monumentos, nomeadamente o Castelo, marco incontornável de qualquer visita ao concelho.

A Igreja de Santa Maria da Alcáçova, a Capela de S. João, a Torre do Relógio e o Paço das Infantas devem incluir-se na visita, que não dispensa, após a entrada na fortaleza, a agradável Casa de Chá, rodeada de amendoeiras, com um vista inesquecível para os campos verdes do Baixo Mondego.

No património natural destacam-se os pauis de Arzila e do Taipal com caniçais, canaviais, juncos, nenúfares, aves, peixes e mamíferos que os transformam em santuários de fauna e flora.

Criado em 1988, o Paúl de Arzila faz parte da ribeira de Cernache drenada por três valas – a dos Moinhos, a do Meio e a da Costa; conta com 535 hectares de mata natural que abriga cerca de 119 espécies de aves, 14 de mamíferos, 10 de répteis, 9 de anfíbios e 13 de peixes. A flora também é bastante rica, com cerca de 300 espécies. A cobertura vegetal da parte alagadiça é essencialmente formada por bunho, caniço e tábua. A zona de transição entre as valas e a floresta predominam plantas arbustivas como o choupo e o salgueiro. No Paulo do Taipal a zona paludosa regista a presença de espécies como Caniço, Bunho, Tabúas, Juncos, Junças, Salgueiros (preto, branco, etc.), Amieiros, Freixos, Ulmeiros, Choupos (negro e branco), Lentilhas-de-água, Nenúfares, Lírio-amarelo-dos-pântanos, Espadanas, e Erva-pinheirinha. A zona envolvente inclui uma zona agrícola, uma pequena zona florestada.

Peixes como o Barbo, o Góbio e o Ruivaco destacam-se nos valores faunísticos do Paúl do Taipal.

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