José Varanda queria estada paga por Simões

Posted by

A única certeza das declarações proferidas ontem no Tribunal de Coimbra é que a conversa entre o empresário José Varanda e o secretário-técnico da Académica, Rui Gonçalves, ocorreu à hora do jantar na unidade hoteleira da Covilhã onde a Briosa realizou o estágio de pré-época. Depois de um primeiro contacto telefónico, feito durante a tarde desse dia, o encontro decorreu naquela unidade hoteleira.

A partir daqui, o teor da conversa diverge… e muito. Ao ponto do advogado de defesa de José Eduardo Simões, Rodrigo Santiago, ter solicitado junto do colectivo de juízes, presidido por Elisabete Alves Coelho, a acareação do empresário e do secretário-técnico da Académica. Situação que o procurador José Luís Trindade recusou mas que o colectivo de juízes entendeu solucionar através da audição, em separado, das duas testemunhas.

José Varanda referiu que a conversa andou à volta de futebol, jogadores e que, no meio disto tudo, o tema do julgamento de Simões veio à baila. O empresário terá dito que estaria a sofrer pressões no Brasil, através de Emídio Mendes – com quem trabalhou directamente –, para que não marcasse presença neste julgamento. Segundo ele, o promotor do empreendimento Jardins do Mondego ter-lhe-á dado a hipótese de durante quatro meses viver à sua custa no Brasil para evitar a deslocação a Coimbra.

“Impossível”, referiu, devido aos compromissos profissionais e à doença grave da filha. Estas declarações terão, segundo José Varanda, levado a que Rui Gonçalves tenha formulado um conjunto de afirmações abonatórias sobre Emídio Mendes – “um homem refém de Simões” – e menos simpáticas relativas ao arguido, de quem disse “o pior possível”.

Factos totalmente desmentidos por Rui Gonçalves. De acordo com o secretário-técnico do clube, a conversa teve apenas como objectivo auscultar a possibilidade do presidente da Académica “pagar” o silêncio do empresário mediante a “pensão completa” no Brasil durante quatro meses. Algo que, poucos dias depois, foi recusado liminarmente pelo presidente José Eduardo Simões e agora dado a conhecer.

Donativos extraviados

Uma das questões levantadas por José Varanda diz respeito à desconfiança de Emídio Mendes quanto ao extravio de alguns dos donativos que deu para a Académica. No seu testemunho, este referiu que o promotor do empreendimento Jardins do Mondego lhe terá confidenciado que não terá chegado à Briosa “mais de metade do dinheiro” por si facultado a José Eduardo Simões. Isto levou, de acordo com José Varanda, a que o presidente academista tivesse passado “de bestial a besta” para o empresário imobiliário. “Sinto-me traído, disse-me ele várias vezes”, afirmou, alegando mesmo que neste momento Emídio está “refém” de Simões. O empreendimento dos Jardins do Mondego, apesar desta questão nunca ter sido muito abordada nas conversas entre Varanda e Emídio, terá sido o motivo recente da discórdia entre o dirigente academista e o empresário luso-brasileiro. Os empréstimos que terá feito ao clube serviriam, segundo Varanda, para “a possibilidade de ele (Emídio) ir fazendo mais andares” naquela zona. “Ele não era tonto em investir sem qualquer benefício”, disse.

Apensação leva Simões a ser julgado por 12 crimes

A apensação do processo, que tinha sido alvo de recurso por parte da defesa para a Relação, levou a que a acusação do presidente da Académica tivesse subido a partir de ontem para 12 crimes. Ou seja, José Eduardo Simões esteve até este momento a ser julgado pela prática de nove crimes de corrupção passiva, nuns casos para acto lícito e noutros para acto ilícito.

Desde ontem, a estes nove crimes juntam-se mais dois de corrupção passiva – um lícito e outro ilícito – no âmbito de processos de obras num edifício da Rua João Machado. O 12.º crime diz respeito à prática de um crime de abuso de poder, relativo à vivenda de Tavares de Almeida.

O julgamento prossegue no próximo dia 7 de Setembro, altura em que o colectivo de juízes começará a audição das primeiras 14 testemunhas – todas elas de acusação.

Mais duas acareações

O processo que envolve o presidente da Académica, e que está em julgamento no Tribunal de Coimbra, vai contar com mais duas acareações – técnica jurídica que consiste no apuramento da verdade no depoimento das testemunhas e das partes, confrontando-as frente-a-frente e levantando os pontos divergentes, até às alegações e afirmações verdadeiras. Depois de Leal Barreto e do empresário José Manuel Carrilho, o tribunal vai confrontar no dia 9 de Setembro o dirigente Luís Godinho e o empresário Joaquim Antunes dos Santos. Sem data está a acareação dos empresários Emídio Mendes e José Varanda.

3 Comments

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.