Prevenção é o lema dos guardiães das praias na Figueira da Foz

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Dez horas por dia de olhos postos no mar, sem tolerância para distracções. Um ofício sazonal mas um gosto a tempo inteiro.

Telmo Carvalho e Bruno Santos, 25 e 27 anos, partilham, mais do que uma profissão, uma paixão. Da Tamargueira à praia da Figueira existem 12 postos de vigia. Telmo é o guardião de um deles, em Buarcos. Todos os dias, das 09H30 às 19H30, ocupa o seu posto. No mesmo período, Bruno palmilha o areal de lés-a-lés na sua moto quatro. Exerce a profissão sazonal há dois anos. Nos restantes meses, é treinador de kickboxing, em Coimbra.

Este ano, é coordenador dos nadadores-salvadores, um cargo criado no início da época balnear, no âmbito do programa Praia Segura 2010.

Apoiar os colegas com um meio de auxílio mais rápido, supervisionar a actividade e prestar especial atenção às praias não vigiadas são tarefas que fazem parte da sua rotina. Durante cerca de três meses, aproveita “o bom estilo de vida” junto do mar. E das pessoas. Porque a interacção humana, afirma, é uma das mais-valias do seu hobby.

“Salvamentos à “Marés Vivas” nunca fez. “O melhor nadador-salvador não é o que faz mais salvamentos, mas o que previne”, afiança. Jogar pelo seguro. Quem cumpre à risca os desígnios da profissão, quase não tem com que se preocupar. “Por isso é que, muitas vezes, quase não temos trabalho”, explica Telmo Carvalho. Este figueirense deu asas ao seu gosto há seis anos, quando ainda era apenas um estudante universitário de Desporto.

Experimentou e gostou. Desde essa altura, deixou de ter férias de Verão. E confessa que vale a pena. “No fundo, é gratificante estar aqui”, diz. Contudo, revela, os utentes das praias nem sempre respeitam a sinalização e os nadadores-salvadores. Principalmente as camadas mais jovens. “Só quando precisam é que dão o devido valor”, assegura.

Mas eles continuam o seu trabalho, essencialmente de sensibilização. E de alerta para os perigos mais frequentes: os ventos, as correntes ou a presença de peixes-aranha. Apesar de, logo no primeiro ano de exercício, ter feito um salvamento “complicado”, estas histórias não fazem parte do dia-a-dia de Telmo, nem do dos seus colegas. São mais solicitados para intervir ao nível de primeiros socorros. E no desaparecimento de crianças. Uma constante no areal figueirense, garantem ambos os nadadores-salvadores.

E, apesar de ser conhecido o gosto do público feminino por estes “soldados do mar”, ambos revelam que os tempos mudaram. Mas conviver e conhecer outras pessoas continua a fazer parte da profissão. E é uma forma de ocupar o tempo. Os olhos, esses, porém, estão sempre atentos. “Quando menos esperamos pode acontecer alguma coisa”, afiança Telmo Carvalho. E, afinal, é para isso que eles lá estão.

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