Incêndiário detido confessou ter ateado vários fogos em Tondela

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O presumível incendiário, que deixou em alvoroço a população dos arredores de Tondela no final de Julho e início deste mês, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e apresentado ontem a tribunal. A polícia de investigação não tem dúvidas de que este homem de 30 anos é responsável por, pelo menos, três fogos florestais na região.

O próprio confessou os crimes e deu indicações de que poderá ter agido da mesma forma em outras ocasiões, mas não consegue lembrar-se nem onde, nem quando, refere uma fonte policial. Para além da confissão e dos indícios existentes, serão as provas recolhidas entretanto que poderão conduzir a essa conclusão.

Numa altura em que muito se tem falado da personalidade desviante de alguns incendiários, também este revelou aos agentes da PJ do Centro que sentia uma grande atracção, não pelo fogo em si, mas pelo trabalho dos bombeiros, acrescentando que gostaria de ser um deles. Todavia, de acordo com os dados recolhidos pela investigação, o homem, agora constituído arguido, nunca terá feito nenhuma diligência para integrar uma qualquer corporação de bombeiros.

Por outro lado, apresenta um quadro de alguma perturbação psiquiátrica já diagnosticada, controlada com medicação.

Por isso o suspeito tem formação média, ao nível do secundário, e profissão fixa. Além disso é casado, o que deveria configurar alguma estabilidade emocional.

Na prática não é assim, uma vez que a investigação reuniu dados que indiciam consumo excessivo de álcool. Terá sido neste quadro de perturbação que o indivíduo ateou os fogos com um simples isqueiro e sem se preocupar em tomas os devidos cuidados para não ser detectado.

Com esta detenção ascende a três dezenas o número de presumíveis incendiários florestais apanhados este ano, metade dos quais estão detidos, segundo fonte da directoria Centro da PJ.

A maioria dos suspeitos detidos tem entre 31 e 50 anos e profissões braçais: agricultura, pastoreio ou construção civil. Dois são ex-bombeiros e apenas uma mulher faz parte da lista, de acordo com a mesma fonte.

“Os incendiários têm, no geral, uma inteligência baixa”, sendo que 32 por cento dos casos analisados sofrem de atraso mental concluiu um conhecido estudo realizado com o objectivo de fazer a “Caracterização sócio-psicológica do incendiário português”, realizado pelo Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJCC) com a Universidade do Minho.

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