Abaixo! Vivo!

Terminou a telenovela telefónica. Com dramatismo pelo meio e final feliz.

A Telefonica espanhola cresceu no Brasil através da PT portuguesa e fez da empresa de telecomunicações Vivo uma das mais dinâmicas e com mais clientes em toda a America Latina. A ambição espanhola não era partilhar com a empresa lusa os proveitos entretanto adquiridos. Decidiu comprar a Vivo à PT com uma oferta de 5,7 mil milhões de euros em Maio, subiu para 6,5 mil milhões em Junho e um mês depois para 7,15 mil milhões com a ameaça de não subir mais e fixar um prazo para a resposta.

O Governo decidiu utilizar a golden share que todos conheciam quando adquiriram a empresa. Logo se levantou um coro de protestos quanto à sua utilização, feita em nome do interesse nacional e da protecção internacional de uma empresa portuguesa de ponta. Abaixo a golden share! Accionistas, empresários, principal partido da oposição, jornais de cariz económico, todos juntos defenderam o mercado que era resultado da decisão maioritária de vender. A mais valia, e só isso, determinava a decisão.

Agora surge uma nova proposta construída, já com tempo, possibilitada pela resposta do Governo, em que o valor passou para 7,5 mil milhões de euros, sem incluir o call center da Vivo, logo, mais 350 milhões de euros. Em complemento surge a oportunidade de a PT entrar na Oi, que é só a maior empresa brasileira da rede fixa.

De um negócio sem projecto em que a venda só representava uma realização de mais-valias, surge outro em alternativa em que, além disso, e em maior valor, traz uma parceria estratégica que mantém a posição da PT como empresa de peso internacional, mantendo-se no importante mercado brasileiro e nele com vista para toda a America Latina.

Os mesmos que criticaram o veto do Governo foram os que se juntaram a todos os outros para aplaudirem essa posição e toda a diplomacia que entretanto foi possível utilizar para se chegar a um final em que todos se sentiram beneficiados. Viva a golden share! A PT, os accionistas, os críticos, a comunicação social e o Governo (a única entidade que não mudou de posição na defesa da decisão que considerou o melhor interesse do País) louvam agora a golden share. Viva o veto! Porque agora permitiu que todos ganhassem.

Duas notas finais:

Primeira: A Espanha tem uma estratégia e neste caso apanhou-nos sem visão no momento de decisão. Houve que ganhar tempo para nos recompormos.

Segunda: O mundo está em constante mutação em todas as áreas, saibamos acompanhar essa evolução para não sermos surpreendidos. Em Espanha até as touradas são discutidas e em algumas regiões proibidas. Quem diria? Olho alerta! Ou melhor, Oi aí!

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.