“Não podemos ficar quietos!”

Como Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, continuo muito preocupado, desgostoso e revoltado, perante o impasse na construção do Metro de Superfície entre Serpins e Coimbra, já que as notícias que têm vindo a público não são nada benéficas para que os milhares de cidadãos e utentes daquela infra-estrutura se sintam confortadas, ou minimamente esclarecidos.

Não há respostas concretas, antes alusões avulsas, e não há ninguém, neste caso por parte do Governo, que venha clara e inequivocamente dizer o que se passa.

É uma situação gravíssima, que vai prejudicar os milhares de utilizadores do Metro de Superfície, e, em simultâneo, criar ainda mais problemas ao já caótico trânsito da Estrada da Beira (EN17), com as proibições de ultrapassagem e limites reduzidos de velocidade em muitos locais onde não eram necessárias estas restrições. Ao contrário do que pensam os experts na matéria, está cada vez mais perigosa, mais atreita a acidentes, e em nada viu a sua segurança melhorada

E se, antes do início das obras do Metro de Superfície, já se registavam infindáveis filas de trânsito, agora estas estão substancialmente aumentadas, fruto da transferência dos utentes daquela via ferroviária para a Estrada da Beira.

Tudo isto são verdades incontestáveis, situações gravosas a que é preciso pôr termo!

Relativamente ao Metro de Superfície, já por diversas vezes referi outras soluções com custos muito menores e que, ao mesmo tempo, serviriam com qualidade os utentes deste transporte, resolvendo-lhes perfeitamente os problemas do dia-a-dia, nomeadamente com a melhoria das Estações e Apeadeiros, e a electrificação da linha. Os senhores responsáveis por este país não quiseram ouvir… Tudo facilidades! Ou, como diz o povo, mais olhos que barriga…

Optaram por projectos que podem ser muito importantes – não tenho dúvida –, mas que não sendo concretizados – nem pensar que não o sejam! -, originam (às populações) problemas gravíssimos, não só pelo atraso na conclusão da obra, como pelas dúvidas que se levantam actualmente aos utentes da Via Ferroviária.

Naturalmente, e como tenho vindo a referir, quem acaba por suportar estes desvarios é a Estrada da Beira, via comunicante e estruturante também para os Municípios servidos pela Ferrovia, mas ainda mais importante para aqueles que, não possuindo qualquer outra infra-estrutura, utilizam a Estrada Beira. É que, de um momento para o outro, vêem-se ainda mais prejudicados por toda esta situação. Refiro-me concretamente aos concelhos de Vila Nova de Poiares, Góis, Pampilhosa da Serra e parte sul do Concelho de Arganil.

Por exemplo, no que se refere à obrigatoriedade de circular a 50km/h em grande parte do traçado, seria possível, fora das povoações aumentar o limite de velocidade para 80 km/h, o que facilitava um mais rápido escoamento do tráfego, evitando as extensas filas.

Sinto que esta realidade não tem sido devidamente analisada pelos municípios hoje agrupados nas Comunidades Intermunicipais.

É necessário fazer mais! É possível fazer muito mais! O que tem sido feito e dito é, na minha modesta opinião, muito pouco.

Discordo da forma demasiado apática como tem sido feito o combate político e a reivindicação de todo este processo. Têm de ser tomadas atitudes coerentes e em força, reivindicações precisas em matérias onde o politicamente correcto não resulta. Com os direitos das populações não se brinca!

Nenhum Governo, apesar da sua legitimidade, pode atrever-se a tomar tais atitudes como as que adopta com os utentes do Metro de Superfície e com os utentes da Estrada da Beira.

É por estas razões que entendo ser a altura de dizer basta e de tomar uma atitude! Por isso, atrevo-me a sugerir que, no dia 4 de Setembro de 2010, sábado, ou em qualquer outra data mais adequada, se faça uma grande marcha lenta na Estrada da Beira, entre Vila Nova de Poiares e Coimbra, para manifestar todo o nosso repúdio por estas situações referentes ao Metro de Superfície e à Estrada da Beira.

E ambas não se podem dissociar uma da outra!

Os utentes do Metro de Superfície e os da Estrada da Beira devem unir-se, sempre com o sentido primeiro de alerta e repúdio, contra a realidade insustentável que vive a Linha Ferroviária entre Serpins e Coimbra.

Estou convencido que desta forma, com uma grande manifestação popular, na afirmação dos direitos dos cidadãos e dos Municípios, ninguém poderá deixar de estar presente, e em conjunto levar por diante esta mega manifestação contra este estado de coisas.

Assim, lanço o repto aos Municípios que entendam aderir a esta iniciativa, para que o manifestem publicamente, pois caso o não façam, estarão a dar o seu acordo à situação actual.

Eu não estou! Se for sozinho no meu carro, com uma bandeira, estou a cumprir o meu dever de cidadão e Autarca! Estou sempre presente em defesa destas duas vias estruturantes e de grande importância para o desenvolvimento do Distrito e da Região.

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