20 | SET | 05
TERÇA-FEIRA

















   

Jot’ Alves

FIGUEIRA DA FOZ – Deputado “põe a nu” negócio da Católica
O deputado socialista João Portugal revelou ontem documentos sobre a venda de um terreno da Universidade Católica para a construção de um hotel.

Cerca de um mês após ter consumado o negócio de um terreno para construir um campus universitário, a Universidade Católica Portuguesa (UCP) decidiu aliená–lo à Visabeira para a construção de um hotel. Esta é uma das conclusões a que o deputado João Portugal chegou depois de estar na posse de alguns documentos relativos ao processo.
O parlamentar, eleito nas listas do PS, pelo círculo de Coimbra, divulgou ontem, em conferência de imprensa, alguns dos pormenores do negócio. O processo remonta a 2001, quando a UCP manifestou interesse em adquirir um terreno do Ministério da Defesa, localizado na zona das Abadias, para construir novas instalações. Na altura, era António Guterres quem governava o país.
O negócio fica fechado em Maio de 2003, através de venda directa, com Manuela Ferreira Leite à frente da pasta das Finanças. Um mês depois, porém, a universidade acaba por desistir do campus. Solicita, então, ao Estado que anule a cláusula de direito de reversão. Solicitação que foi atendida em Agosto seguinte, viabilizando assim a venda a terceiros.

Ingenuidade
ou mentira
A Católica, ainda segundo João Portugal, citando o presidente da câmara, Duarte Silva, terá argumentado que necessitava de alienar o terreno para viabilizar a continuidade do pólo da Figueira. Foi aí que surgiu a Visabeira, que adquire o imóvel por cerca de 3,750 milhões de euros, para construir um hotel. Com este negócio a universidade terá encaixado perto de 1,250 milhões de euros.
De toda esta história João Portugal retém o capítulo em que “os interesses da Figueira não foram defendidos”. E aponta o dedo à autarquia, por “ter trocado uma universidade por um hotel”. “Das duas uma: ou a câmara foi ingénua ou então está a mentir”, aponta o deputado. Porque, lembra, foi o executivo municipal que pediu ao Ministério da Defesa as alterações necessárias para a viabilidade da construção do hotel. E “o acordo verbal que o presidente [Duarte Silva] fez devia ter passado a escrito”, defende.

“Aproveitamento financeiro”

O acordo viabilizava a construção do hotel com a condição da UCP não sair da Figueira. Mas o eleito do PS considera que, se entretanto não houve alteração, não se pode construir na vertical, ou seja, o hotel não pode ser construído naquele terreno. “No mínimo, houve um aproveitamento financeiro”, por parte da Católica. Que entretanto suspendeu as matrículas na Figueira.
João Portugal não conseguiu esclarecer por que motivo o pedido de viabilização para a construção do hotel foi solicitado à autarquia pela Católica e não pela Visabeira. Duarte Silva, por seu turno, limitou–se a dizer: “Tudo o que eu fiz, e continuarei a fazer, neste processo, foi defender os melhores interesses dos figueirenses”. Até ao fecho desta edição, não foi possível recolher declarações da parte da UCP.


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Artigo de Opinião


José Basílio Simões
Docente da U.C.

Coimbra Living Lab

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