27 | JUN | 05
SEGUNDA-FEIRA

















   

Vitor Batista

Em nome do rigor e da verdade
No âmbito da pré–campanha eleitoral autárquica na qual sou candidato a Presidente da Câmara de Coimbra pelo Partido Socialista, a meu pedido, há dias, tive um encontro com o Reitor da Universidade de Coimbra, para analisar situações as quais sendo da responsabilidade municipal também dizem respeito à Universidade de Coimbra. E, porque o Diário as Beiras fez notícia, considero indispensável, melhor clarificar os assuntos debatidos e sobretudo corrigir alguns aspectos da notícia e que não correspondem inteiramente à posição do Reitor.
Os problemas do concelho que estiveram em análise foram sobretudo quatro: a construção de um monumento ao estudante de Coimbra, na Praça da República, em vez do parque de estacionamento subterrâneo; a construção de um parque de estacionamento sob as escadas monumentais; a utilização do espaço no Quartel da Sofia para o Ministério da Justiça; e o estádio Universitário.
Quanto ao monumento ao estudante de Coimbra, que será simultaneamente um monumento aos jovens, sem dúvida que houve sintonia de posições.
Também quanto à utilização do Quartel da Sofia, pelo Ministério da Justiça, houve sintonia, dado ser possível numa área de 32 000 m2, construir o espaço pretendido pelo Ministério da Justiça e a Universidade continuar com as instalações que hoje dispõe e nas quais se encontra instalado o Centro de Documentação, 25 de Abril e se prevê a instalação do Centro de Estudos Sociais da Universidade. A opção de construir as novas instalações para o Ministério da Justiça naquele local, na Rua da Sofia, teria vantagens não só para os operadores da justiça (advogados e solicitadores), que tem os seus escritórios na zona, dado termos o actual Palácio da Justiça a poucos metros, mas sobretudo é indispensável para não retirarmos mais vida à baixa de Coimbra. Para a margem esquerda poderão e deverão ir outros serviços públicos como já afirmei e referenciei.
No que respeita à construção do parque de estacionamento subterrâneo às escadas monumentais, o Reitor informou que, a Universidade já dispõe de projectos para parques de estacionamento para 450 lugares, faltando os meios financeiros, contudo constatei que, a capacidade está longe das 1 500 viaturas pretendidas, daí ser necessário compatibilizar os projectos existentes, que devem ser concretizados, com a pretensão de um parque debaixo das escadas monumentais sobre o qual o Reitor manifestou algumas reservas do ponto de vista técnico. A construção de um parque desta dimensão, como o que pretendo, tem de ser equacionado, necessariamente, distinguindo o investimento privado e o investimento público.
E quanto ao Estádio Universitário, que é o verdadeiro estádio da cidade, com uma utilização diária média de 2000 utentes, fui informado do facto da Reitoria ter incumbido pessoas para estudar os investimentos necessários à melhoria e revalorização daquele equipamento. Sem dúvida que neste ponto coincidimos, no mínimo, quanto à necessidade de investimentos no estádio, no entanto coloquei o problema da sua eventual transferência para junto ao pólo 2, situação que ficou em ser amadurecida desde logo também quanto à necessidade da possibilidade da existência de índice de construção, que poderá envolver ou não alterações do PDM. A margem esquerda contígua ao rio tem de ser obrigatoriamente requalificada e teremos de lá construir um Palácio de Congressos para 3 000 utilizadores.

Esta semana, uma sondagem publicada num jornal semanário de Coimbra, quase já nem seria necessário realizar eleições autárquicas. Como sou dos que dou credibilidade a estudos de opinião esta merece–me os seguintes comentários:
a) Não é habitual que as sondagens incluam a abstenção, verifiquem–se as que são regularmente publicadas no semanário Expresso. As sondagens incidem sobre quem tenciona votar e não sobre quem não vota. E esta sondagem tem 20,2% de abstenção. No Expresso o que verificamos é a resposta sobre os partidos ou candidatos e depois aparece os que NS/NR (os que não sabem em quem vão votar ou querem votar mas não respondem).
b) A amostra da dita sondagem foi de 600 cidadãos, e por isso mesmo, uma pequena amostra, mas como 20,2% ainda se abstêm, então a amostra fica ainda mais reduzida, a apenas 479 cidadãos que tencionam votar. E como quem decide o acto eleitoral autárquico, são de facto os que votam, e não os abstencionistas, os resultados da dita sondagem publicada nunca poderão minimamente corresponder à realidade.
c) Confesso que julgo saber as motivações que estão por detrás da sondagem. Estou nesta campanha para ganhar a Câmara e ninguém me desmotivará deste combate. A seu tempo surgirão sondagens credíveis e essas sim merecerão a minha atenção, até porque ninguém acredita que o PS tenha intenções de voto de 23,6%, quando a nível nacional se situa entre os 43% e 47%.
Há um velho ditado popular que diz: quando a esmola é demais o pobre desconfia”. Neste caso eu diria: quando os votos são demais o eleitor desconfia. Se uma das motivações foi parar o meu visível crescimento eleitoral brevemente verificarão o erro cometido.







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Artigo de Opinião


José Basílio Simões
Docente da U.C.

Coimbra Living Lab

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