24 | MAR | 08
SEGUNDA-FEIRA

















   



TIBETE
Japão apela ao diálogo, Dalai Lama aceita mas China recusa
O Japão apelou à China e aos líderes tibetanos para que abram um diálogo "sem condições prévias", na sequência dos incidentes registados nesta região autónoma chinesa.

“O Japão apreciaria que ambas as partes iniciassem um processo de diálogo sem condições prévias para melhorar a situação", declarou o porta-voz do governo japonês, Nobutaka Machimura.
Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, afirmou quinta-feira estar disponível para um encontro com o presidente chinês, Hu Jintao, se receber "indicações concretas" de que Pequim deseja dialogar.
O Tibete tem vindo a registar desde a semana passada incidentes de grande violência por ocasião do aniversário da revolta tibetana de 1959 contra a presença chinesa.
O Governo chinês anunciou quinta-feira a sua recusa de conversações com o Dalai Lama apesar das crescentes pressões internacionais para que Pequim dialogue com o líder tibetano no exílio, quando se intensifica a presença militar chinesa no Tibete.
Qin Ganag, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, reiterou a posição de Pequim de que o Dalai Lama é um "falso e hipócrita" líder religioso que quer a independência do Tibete.
"O Dalai Lama deve desistir da sua exigência de um Tibete independente, acabar com as suas actividades separatistas e reconhecer que o Tibete é parte da China e que o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo de toda a China", disse Qin Gang em conferência de imprensa.
O Japão, que procura melhorar as suas relações com a China após anos de tensão sob o mandato do primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), tem evitado intervir na questão tibetana.
Contrariamente aos países ocidentais, os líderes japoneses nunca receberam oficialmente o Dalai Lama, que efectua frequentes viagens ao Japão para se encontrar com os budistas nipónicos.

China garante que lida com protestos à maneira ocidental

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse sexta-feira, em conferência de imprensa, que a China tratará a investigação aos protestos no Tibete da mesma forma que Portugal, um país "governado pelo primado da lei", o faria.
Respondendo a uma pergunta da Agência Lusa sobre as investigações sobre os tumultos em Lassa, a capital tibetana, Qing Gang afirmou de forma brusca: "a China é igual ao seu país, que é governado pelo primado da lei". "A China lidará com a situação da mesma forma que o governo português lidaria", acrescentou o porta-voz diplomático chinês.
Qin Gang insistiu que, frente aos protestos no Tibete, a China "exerceu a máxima contenção" e não fez uso de "armas mortíferas" para conter os maiores protestos contra a China desde 1989.
A China reitera que as únicas 13 pessoas a morrer nos protestos foram "vítimas civis inocentes", mortas pelos "amotinados" em Lassa. O Governo tibetano no exílio diz ter confirmado já a morte de 99 pessoas na sequência da repressão chinesa.
Antes de ter sido expulso do Tibete pelas autoridades chinesas, o repórter alemão Georg Blume, do jornal Die Ziet, afirmou na quinta-feira ter visto em Lassa milhares de tropas nas ruas, descrevendo uma caravana militar "com cerca de dois quilómetros e de 200 camiões de transporte de tropas, cada um com 30 soldados".


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Artigo de Opinião


José Basílio Simões
Docente da U.C.

Coimbra Living Lab

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