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António Costa, um militar da GNR reformado, já apontado pela PJ como “serial killer”, é suspeito de ter assassinado, “pelo menos”, três raparigas suas vizinhas em Santa Comba Dão.
Foi num ambiente de incredulidade, em verdadeiro estado de choque, que a cidade de Santa Comba Dão acordou ontem para este terrível drama. António Costa, um homem bem visto na comunidade local, foi detido de manhã, em sua casa, pela PJ, que já investigava este caso há cerca de meio ano.
O “serial killer, como passou inclusivamente a ser conhecido pelas autoridades, era membro da Junta de Freguesia de Santa Comba Dão e fazia também parte dos corpos dirigentes do Clube Desportivo Santacombadense e da Casa do Benfica daquela cidade. Com 53 anos, casado e pai de dois filhos, um emigrado no Luxemburgo e outro militar da GNR em Lisboa, terá confessado a autoria destes três homicídios, mas admite-se que possam ser “quatro ou mais”, disse ontem o subdirector nacional da PJ, Almeida Rodrigues.
O suspeito, ouvido no Tribunal da Figueira da Foz, onde apareceu o corpo de uma das vítimas, é indiciado por três crimes de homicídio qualificado e três de ocultação de cadáver. Foi-lhe aplicada como medida de coacção a prisão preventiva, numa prisão da área da PJ de Coimbra.
As vítimas, que residem todas em habitações contíguas, numa área de cerca de 500 metros, da do presumível homicida, são Isabel Cristina Isidoro, de 17 anos, Mariana Lourenço, de 18 anos e Joana Oliveira, de 17 anos.
A primeira vítima estava desaparecida desde 24 de Maio de 2005, a segunda deixou de ser vista a 14 de Novembro do ano passado e a terceira era dada como desaparecida desde 8 de Maio deste ano.
O corpo de Isabel Isidoro é o único que até ontem estava identificado pelas autoridades policiais. Esta vítima não foi abrangida pelas investigações da Directoria de Coimbra da PJ, dado que os pais, julgando que ela tinha emigrado para França, não participaram o desaparecimento. O seu corpo foi encontrado na Figueira da Foz, na praia do Cabedelo, dentro de um saco de serapilheira, com evidentes sinais de agressão, em 31 de Maio de 2005 e “está claramente identificado”, segundo fonte da PJ.
O desaparecimento de Mariana Lourenço, em Novembro do ano passado, desencadeou uma investigação policial, com os agentes a procurarem, numa primeira fase, “estabelecer o perfil” do presumível homicida. “Muito cedo suspeitámos estar perante um homicida em série (“serial killer”)”, revelou Almeida Rodrigues.
Há algumas semanas, uma parte de um outro corpo apareceu nas águas da barragem do Coiço, em Penacova, não tendo sido ainda identificado, mas as autoridades policiais suspeitam que poderá ser o de Mariana Lourenço. O Instituto de Medicina Legal, em Coimbra, está a investigar este e outros corpos, para detectar a identidade das vitimas.
Em relação a Joana Oliveira, foram realizadas, ontem à tarde, buscas no rio Mondego, a jusante da barragem da Aguieira, no concelho de Penacova, onde se presume que António Costa tenha atirado o corpo à água, mas até ao fecho desta edição nada tinha sido descoberto.
“Isto parece um filme, nem estou a acreditar que é verdade”, desabafou ontem ao DIÁRIO AS BEIRAS, Fernando Oliveira, pai de Joana Oliveira. “Eu pensei sempre que ela estaria viva, tive sempre essa esperança, mas infelizmente recebemos esta triste noticia”, acrescentou, com as lágrimas nos olhos.
Um outro familiar revelou ao DIÁRIO AS BEIRAS que ainda ontem (anteontem) à noite fora com o pai da Joana “a casa desse bandido, perguntar se sabia de alguma coisa e ele disse-nos que tinha sido encontrado um corpo na barragem sem cabeça e pernas e nós ficámos sem palavras, sendo ele, afinal, o assassino”.
“O Tói, como toda a gente lhe chamava, era tido como boa pessoa, a mim sempre me respeitou”, frisou Hermínia Ferreira, de 74 anos, ainda incrédula com o caso que abalou a pequena comunidade de Cabecinha de Rei, um lugar da freguesia de Santa Comba Dão.
Patrícia Matos, de 20 anos, disse aos jornalistas também nunca ter suspeitado que o antigo militar “pudesse ser capaz de fazer uma coisa destas” às suas amigas. Segundo ela, Isabel Cristina Isidoro tinha desistido de estudar e ainda não trabalhava. Já Mariana Oliveira frequentava a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital e Joana Oliveira, a Escola Secundária de Santa Comba Dão.
“Acreditamos que as vítimas confiavam nele, visto que o conheciam, e à partida deve ter conseguido levá-las para lugares ermos e quando se apercebiam das reais intenções do autor já era tarde, uma vez que já não tinham hipóteses de sobreviver”, adiantou o subdirector nacional da PJ, Almeida Rodrigues.
“Só desta forma foi possível suster a actividade deste homem”, uma vez que se não fosse detido, “ia continuar a cometer este tipo de crimes, dado que os portadores de uma psicopatia não deixam de cometer os crimes, podem ter um período de arrefecimento, como que parece que aconteceu neste caso, mas tendem sempre a prosseguir na prática deste tipo de crimes”, realçou ainda Almeida Rodrigues.
(*) com Jot’Alves
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