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Uma equipa de docentes da Universidade de Carnegie Mellon esteve na Critical Software para avaliar a possibilidade de uma futura colaboração. Mariano Gago acompanhou a visita.
Uma delegação da Carnegie Mellon University (CMU) reuniu-se ontem com quadros da Critical Software e docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC). A iniciativa esteve integrada no processo de colaboração do Governo com a instituição norte-americana, “materializando o esforço de internacionalização do sistema científico e tecnológico e do ensino superior planeado no âmbito do Plano Tecnológico”.
No final da visita efectuada à empresa, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, referiu que o Governo está a procurar desenvolver parcerias entre universidades, centros de investigação e empresas portuguesas com grandes universidades de referência “em cada uma das áreas à escala global para reforçar a capacidade de formação e de investigação em Portugal e para ligar essas universidades, centros e empresas a centros e mercados internacionais”.
Para Mariano Gago, a Critical Software é um “caso típico” e qualquer reforço das relações institucionais que venham existir entre a empresa e as universidade americanas, “vai também reforçar o acesso da Critical às ideias dos EUA e ao mercado norte-americana”.
O processo de parceria passa actualmente pela fase de identificação e selecção de programas, actividades e instrumentos que em Portugal melhor poderão potenciar as relações bilaterais pretendidas. Ainda de acordo com o ministro, o processo deve estar concluído até Julho de 2006, resultando num acordo institucional a médio e longo prazos.
Para Gonçalo Quadros, responsável da Critical Software, a colaboração com a CMU deve passar sobretudo pela formação, nomeadamente através da criação de um mestrado na UC, instituição com a qual esta empresa tem “uma relação profícua”.
“Neste momento temos mais de 20 estudantes da universidade que estão aqui a fazer aqui os seus projectos de final de curso. E, como temos essa ligação com a UC, naturalmente tiraremos partido de uma excepcional capacidade de formar jovens nas área de engenharia de software”, realçou.
Durante visita efectuada pela Critical, foram dados a conhecer os muitos projectos e produtos que estão neste momento a ser desenvolvidos pela empresa. Porém, Gonçalo Quadros não crê que a universidade norte-americana esteja muito interessada no resultado do conhecimento. “Está, sim, mais preocupada em promover conhecimento, na capacidade de formar pessoas, de melhora-lá. E é esse o principal foco”, ressalvou.
Aos jornalistas, José Manuel Fonseca de Moura, docente da CMU, confessou que a missão ficou “extremamente impressionada” com os projectos desenvolvidos na Critical.
Fundada em 1998, a empresa desenvolve soluções, serviços e tecnologias inovadoras e fiáveis para sistemas críticos de negócio, estando presente em mercados de todos os continentes a operar nos sectores da aeronáutica, banca, defesa, espaço, indústria, sector público e telecomunicações, trabalha para clientes como a Agência Espacial Europeia, a NASA, a Infineon e a Marinha Portuguesa, entre outros.
Em 2005, a empresa com sede em Coimbra e escritórios em Lisboa, San Jose (EUA) e Southampton (Reino Unido) teve lucros superiores a seis milhões de euros e, este ano, espera atingir os nove milhões.
De referir ainda que a Critical Software foi a primeira empresa em Portugal a obter a exigente certificação de qualidade do Instituto de Engenharia de Software da Universidade de Carnegie Mellon.
“Especialmente competitiva” na área da defesa
Gonçalo Quadros revelou ontem que a Critical Software pode ser “especialmente competitiva” na área da defesa.
“É um mercado muito importante, talvez pelas piores razões. É um mercado global, que não pára de crescer e com as competências que a Critical foi desenvolvendo, podemos ser especialmente competitivos nesse domínio”, revelou aos jornalistas.
A empresa está a diversificar a sua intervenção nesse segmento – um segmento “muito fechado e muito difícil”, por ser dominado por grandes empresas. A excelência e qualidade da Critical Software têm sido cruciais na capacidade da empresa captar clientes e de alcançar o sucesso nesse domínio. “Mas temos que crescer para sermos olhados de outra forma”, referiu Gonçalo Quadros, tendo acrescentado que, embora não haja nenhuma parceria global para intervir nesse mercado de forma mais eficaz, estão ser pensados “vários cenários possíveis” para futuras parcerias.
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