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O não cumprimento de algumas cláusulas do contrato colectivo de trabalho levou os trabalhadores do Refeitório/Alimentação da maternidade a uma vigília. A paragem foi a solução encontrada.
“O Estado não se pode dar ao luxo de ter empresas que não respeitam os trabalhadores”, defendeu o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro. Em causa está o facto de a Nordigal, empresa concessionária da alimentação na maternidade, não cumprir o contrato colectivo de trabalho. Os trabalhadores estiveram ontem reunidos em plenário, pelas 08H00, para falar sobre os problemas existentes no local de trabalho. Foi, então, que começaram a surgir os problemas.
A responsável pela alimentação, Maria João, mandou, “de uma forma prepotente, os funcionários trabalhar e para pararem o plenário”, explicou o presidente da Direcção do sindicato. Alfredo Lourenço Pinto lamentou a atitude da administração da maternidade e admitiu que esta é “co-responsável pela situação”, devendo neste caso “tomar uma posição”. Como os trabalhadores decidiram prosseguir o plenário, quatro agentes da PSP foram chamados ao local e identificaram o sindicalista. Segundo o DIÁRIO AS BEIRAS apurou, a Nordigal ainda não pagou o subsídio nocturno e de alimentação no subsídio e ordenado de férias. A juntar a estes problemas, existe ainda o facto de alguns trabalhadores estarem a laborar 12 horas por dia, bem como a não atribuir categorias profissionais, de acordo com a função que desempenham. Alfredo Lourenço Pinto dá um exemplo: “a categoria empregada de balcão, cujo vencimento é inferior, está a ser dada às empregadas de bar”. O não respeito pelas cláusulas 33 e 34 do contrato, relativo ao local de trabalho transferência e mobilidade dos trabalhadores, foi outro dos motivos do protesto dos trabalhadores. “Três funcionárias foram transferidas para as escolas, mas a ordem é ilegítima”, declarou.
O DIÁRIO AS BEIRAS tentou contactar a administração da Maternidade Bissaya Barreto, mas tal não foi possível.
Vigília por
melhores condições
Claúdia Susana trabalha há 12 anos como empregada de distribuição personalizada na Maternidade Bissaya Barreto. Recentemente, a funcionária recebeu em casa uma carta registada da Nordigal a comunicar a sua transferência para a Escola EB 2,3 Inês de Castro onde “não existe a minha categoria profissional”, explicou. A trabalhadora recusa-se a mudar de local de trabalho e afirma mesmo que a “lei não está a ser cumprida”.
Também Filomena Pimentel passa pela mesma situação. A trabalhar na cozinha do hospital há nove anos, foi agora transferida para a Escola EB 2,3 Rainha Santa Isabel, na Pedrulha. “Enviámos uma carta a dizer que não nos apresentávamos ao serviço. Até ver, não obtivemos resposta”, disse.
Refira-se que este é o terceiro ano em que a Nordigal é a concessionária da alimentação na maternidade e, desde então, os problemas têm-se agravado.
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