09 | JAN | 07
TERÇA-FEIRA

















   

Dora Loureiro

HUC
Internos em protesto oferecem trabalho voluntário
 
Médicos recém-licenciados protestaram contra erros no concurso. Para ajudarem os serviços onde já deviam estar colocados, ofereceram-se para trabalho voluntário na Urgência dos HUC.

Perto de uma centena de médicos recém-licenciados, que deveriam ter iniciado o ano comum do internato médico a 2 de Janeiro, participaram ontem numa manifestação silenciosa junto aos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Convocado pelo Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI) da Ordem dos Médicos, o protesto pretendeu alertar para as incorrecções no concurso, que ameaçam atrasar um mês a colocação dos internos.
"Pela primeira vez, o Ministério da Saúde, alegando um erro informático", deixou "pendurados perto de mil clínicos do Serviço Nacional de Saúde", dos quais cerca de 180 são da região Centro, referiu Rui Guimarães, presidente do CNMI.
Este adiamento, realçou João Catarino Ribeiro, coordenador da zona Centro do CNMI, "tem consequências não só para os internos, mas também causa transtornos aos serviços onde já deveriam ter sido colocados estes médicos e à assistência às populações".
Para minorar as consequências, os jovens médicos ofereceram-se ontem para trabalhar voluntariamente na Urgência dos HUC", até que sejam colocados pelo Ministério da Saúde, referiu Rui Guimarães. "Tanto o director como o chefe de equipa da Urgência dos HUC mostraram compreensão com a situação dos internos, foram receptivos à vontade de ajudar e afirmaram que iam elaborar uma escala que integre alguns dos médicos que aguardam colocação", adiantou o presidente do CNMI.
Segundo João Catarino Ribeiro, os jovens médicos vão também oferecer o seu trabalho voluntário a outros hospitais, nomeadamente ao Centro Hospitalar de Coimbra. Mas, realçou, "em diversas unidades de saúde do país há jovens médicos que, por iniciativa própria, estão a trabalhar voluntariamente".
Lembrando que noutros anos têm-se verificado algumas incorrecções nos concursos, os internos pretendem que "o ministério deixe de fazer a lista de colocações em cima do joelho" e que "seja apurada a responsabilidade directa dos vários erros agora verificados". O CNMI exige que o Governo publique a lista de colocações até ao próximo dia 10, de modo a que possam começar a trabalhar nos hospitais e centros de saúde até dia 15. Caso este prazo não seja cumprido, os jovens médicos – são 883 os que viram a sua colocação adiada por um mês – admitem realizar uma manifestação nacional.

Ordem critica

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, acusou o Ministério da Saúde de "desorganização e incapacidade". "É inacreditável que num país europeu, no século XXI, numa colocação de internos que é feita da mesma forma todos os anos possa haver uma justificação informática para tentar explicar um atraso de um mês no início da especialidade", criticou o médico, que ontem acompanhou a manifestação silenciosa. "Esta situação da formação de internos vai atrasar um mês a sua entrada no mercado de trabalho, quando todos sabemos, e os doentes sentem-no, que há falta de médicos, nomeadamente para o trabalho das urgências, mas não só", afirmou.


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Artigo de Opinião


José Basílio Simões
Docente da U.C.

Coimbra Living Lab

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