Opnião – Procura-se alternativa democrática

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A direita portuguesa encontra-se num labirinto e não consegue encontrar a saída. Existem muitos portugueses praticamente sem representação. São os portugueses que assistem à degradação diária de um país, que não se conformam com o estado miserável a que os serviços públicos chegaram depois de anos de sacrifício e que não podem aceitar que Marcelo e Rio sejam cúmplices desta desgraça nacional. A confusão instala-se quando a oposição à direita do PS diz o mesmo que os partidos à esquerda do PS, ou seja, ameaçam querer apurar responsabilidades e exigem mais do governo. Enquanto isso, o PS governa alegremente com o único propósito de voltar a governar, e está a ganhar.
Dentro do PSD ouvem-se vozes de descontentamento, o CDS anda há muitos meses a tentar captar esse eleitorado descontente sem grandes resultados e agora Santana Lopes vai tentar seguir o mesmo caminho, num projecto que de parecer tão pessoal, dificilmente será reconhecido como verdadeira alternativa democrática à direita. As intenções devem ser todas boas, mas falta qualquer coisa a todos: há uma crise de liderança no PSD, que diariamente vê o seu líder a ser atacado; no CDS, a sua líder mais parece ter delegado a liderança; perante isto, Santana Lopes quer afirma-se como líder, mas falta-lhe quem liderar (e projecto de liderança que não seja só “eu estou aqui”).
À esquerda do PS não se vivem dias muito melhores, especialmente no BE, que vive neste momento aterrorizado. O caso Robles serviu como pílula abortiva do sonho de muitos militantes de continuar a viver na bolha das suas ideias, uma que historicamente aguarda pelo alfinete da realidade da vida. Uns hão-de reinventar a bolha (até ao próximo alfinete) e outros vão aceitar a realidade de que se calhar não há mal nenhum em cada um construir o seu próprio sonho e pagá-lo do seu bolso (quer o façam com fundos europeus, com especulação imobiliária, ou até fruto de muito e árduo trabalho). O PCP, com o seu discurso conservador, vai resistindo à contradição de reclamar mais e melhores serviços públicos ao mesmo tempo que aprova orçamentos que os destroem.
Sentado no seu trono, António Costa a tudo assiste com gáudio e o PS aplaude. As próximas eleições são “daqui a dias”, só uma coisa importa e não é vencer as eleições: é ter assentos parlamentares suficientes para formar governo, sozinho ou em boa companhia. Tem tido a vida facilitada com o desmoronar do BE, com a confusão instalada à direita, com o apoio do Presidente. A vida não lhe podia correr melhor e a sua máquina de propaganda tem sido suficiente no combate à realidade, o único elemento destabilizador e que coloca em causa a sua governação. Se a realidade não endurecer, a Costa bastará estar quieto até ser reeleito primeiro-ministro de Portugal.

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