Opinião – Em caso de emergência, BOA SORTE, pois então

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Ó Costa, já sabes que, por estes dias, seis jovens foram cercados pelo fogo? A operadora do 112, que não conhecia o local e não tinha equipamento capaz de identificar as coordenadas GPS, desligou, não sem antes lhes desejar ‘Boa sorte’. Olha, um chorrilho de críticas! Vá-se lá entender! O que queriam, um serviço moderno, capaz de identificar a localização das pessoas? Já se esqueceram da protecção de dados?
Eu cá, em caso de emergência, sou sempre adepta da sorte. E também não desdenho dos desígnios dos astros. Tu devias fazer uma comunicação ao país (uma coisa moderna no Twitter, em estilo Poupas americano), a dizer às gentes que acreditem na sorte e se mantenham atentas ao horóscopo. Em caso de dúvida, que liguem à tia Maya num instantinho e que aproveitem uma ida ao centro comercial para pedirem à cigana do estacionamento que lhes leia a sina (hesito nesta sugestão… se for empreendedorismo, dá-te uns pontinhos, se for racismo, pode virar-se contra ti… não sei, na dúvida usa aquele teu talento para comer letras e ninguém poderá garantir que disseste mesmo ‘cigana’).
Agora que o povo já se habituou à tragédia (como tu lhe recomendaste), é altura de se manter atento aos astros. Dá tu o exemplo! Hoje os astros avisam-te para que te defendas “de críticas maldosas” e fiques atento a “manobras de sedução de criaturas oportunistas” (tu não me digas que o Rio continua a arrastar-te a asa? Ou é a Catarina a piscar-te o olho? Fala com o João Kléber e faz-lhes um teste de fidelidade na TV. Ganhas sempre, independentemente do resultado: o povo gosta de amantes honrados, mas consola sempre o chifrudo piegas).
Para já, Costa, na volta, prepara-te para a silly season. Que tens responsabilidades na área desde 2005, que és responsável pelo falhanço do SIRESP, que não compraste a espuma antifogos porque tens as obras no sistema de incêndio lá de casa para pagar, que o combate ao fogo em Monchique é desorganizado e ineficiente, que os comboios não se aguentam sem ar condicionado (olha que é má-língua, criticar um serviço ferroviário com sauna incluído e onde, com jeitinho, se consegue viajar à borla. Foste tu que mandaste os ‘picas’ de férias para agradar à malta, pois foste!? És o maior!), que os fundos governamentais para a renovação dos eucaliptos ardidos são 5 vezes maiores do que para as árvores autóctones (continuam a insistir naquela mania da floresta nativa, tu já sabes), que a linha de emergência deixou 173 pedidos de auxílio por atender… Blá, blá, blá… Olha, são uns ressabiados invejosos, é o que é! Não tiveram a tua esperteza, ficaram aqui no tempo dos incêndios e agora refilam. Tu, não ligues e aproveita as férias. A água, por aí, tem estado quentinha? (o tio Marcelo também tem ido a banhos também, mas no rio com água gelada. Parece que tinha uma promessa para cumprir, vê lá tu).
Antes que me despeça, sempre te digo que tens que endireitar (desculpa-me lá a piadola) o Henrique Neto. Já sabes que ele foi para o jornal dizer que “os portugueses vivem uma ilusão” porque a tua “estratégia é estar no poder e governar com 2 ou 3 amigos em vez de fazeres as reformas de que o país precisa”? É uma mentira descarada! Não são 2 ou 3, caramba… 20 ou 30, talvez… e ainda partilham o tacho com a família. (Assim como nós fazemos por aqui, na Serra da Boa Viagem com o franguito assado e as batatas pála-pála, ou na Mata de Mira com o arroz malandrinho e a lebre a saltar do prato. O quinhão é igual, mas à grande, porque aquilo em São Bento é uma casa farta!)

3 Comments

  1. Ó Filomena, já confirmaste a veracidade do relato do 112?

  2. Como já fizémos notar à Sra. Filomena Girão, nenhum XPTO de vida cómoda ou não, sairá eximido após escrupuloso escrutínio, seja da sua vidinha mais alargada, seja da mais restrita. Mas se a Sra. Filomena Girão acha que sim… Que haveremos de fazer?
    Começamos a ficar todos muito preocupados com a fixação em certas menções: 'Belzebu', 'chifrudo', 'criaturas oportunistas', 'má-língua'… E pensamos se não terá tomado a Sra. Filomena Girão como leitura estival predilecta, o Lord of the Flies, do Sr. William Golding. O tal em que o jovem Simon mantém um diálogo imaginário com uma cabeça de porco espetada num pau aguçado, e no qual a sua noção de que a Besta é uma entidade real, concreta, passível de se lhe ir no encalço e de ser aniquilada, é levada ao ridículo. A verdade acerca de todos os XPTO’s poderá bem ser a revelada a Simon, id est, que todos os XPTO’s são a Besta, ou que esta está dentro de todos os XPTO’s. Claro está, que isto não passa de uma alegoria acerca de XPTO’s, o que incluirá inelutavelmente a Sra. Filomena Girão.
    Contudo, ressalvamos que Lord of the Flies, poderá ser não mais do que a narração ingénua de uma parábola ontológica. Uma parábola acerca de On What There Isn’t, e que afinal nada tenha a ver com XPTO’s.
    Mas se for esse o caso, o de o Lord of the Flies, do Sr. William Golding, não ser afinal a leitura estival que a Sra. Filomena Girão tomou como a predilecta, aqui fica a sugestão. Isto se um qualquer XPTO considerar que um Senhor ou Senhora das Moscas bem dispõe um ou uma qualquer XPTO veraneante, diante do mar.

  3. Que a Sra. Filomena Girão não nos interprete mal com o escrito: “Como já fizémos notar à Sra. Filomena Girão, nenhum XPTO de vida cómoda ou não, sairá eximido após escrupuloso escrutínio, seja da sua vidinha mais alargada, seja da mais restrita. Mas se a Sra. Filomena Girão acha que sim… Que haveremos de fazer?”

    A improvável eximição diz respeito a instâncias de verdade lógica, contradição e contingência, seja da vidinha mais alargada, seja da vidinha mais restrita. E não queremos com este relambório todo, dizer que a razão substitui inteiramente a experiência. Mas que sempre dá uma ajudinha, dá…

    Se a Sra. Filomena Girão não estiver com tempo para leituras marítimas, poderá sempre retirar alguma coisinha de relevante da adaptação fílmica mais aceitável que se terá feito da obra Lord of the Flies, do Sr. William Golding.


    Kýrie eléēson, Sra. Filomena Girão. 🙂

    Muito boas férias para si, e saudações a partir da Península de Setúbal, Sra. Filomena Girão.

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