Opinião: Coimbra, caminho de futuro!

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Três conjuntos de circunstâncias na história da fundação e evolução de Coimbra, que concorrem para converter o dia da cidade, em data particularmente significativa, para olharmos os caminhos do futuro.

A canonização da Rainha Isabel, foi facto acolhido com grande júbilo pela cidade e universidade, em honra da esposa do seu fundador, D. Dinis. Estudantes tocavam e cantavam canções.

Coimbra é de Portugal, como diz a canção que Eduardo Bettencourt popularizou – Coimbra, menina e moça.
Venha de lá o povo à rua, com essa gente, menina e moça, juventude bonita, de alegria natural, que dentro de dias irá participar no evento multidesportivo, nunca antes visto em Portugal; cerca de quatro mil atletas – estudantes, de quarenta países europeus, a competir em jogos de diferentes modalidades.

Fizeram bem, o Sr. Presidente da Câmara, Dr. Manuel Machado e o Senhor Vereador do Desporto, Dr. Carlos Cidade, empenhando-se com os demais parceiros promotores, nos Jogos Europeus Universitários: a todos, a essa mocidade atrativa, bem-vindos a Coimbra.

Remonta mais longe a história de Coimbra. “Terra Conimbrigense” do estado visigótico. Parte integrante depois do “Condado Portucalense”. Com o tempo ganhou importância tal, que a sua sede passou de Guimarães para Coimbra.

E foi aqui que reuniram, primeiro as Cortes de 1211, donde saíram as primeiras leis do reino. Depois, as Cortes de 1385, onde João das Regras legitimou a candidatura ao trono de Mestre de Avis.

Fez bem, o Senhor Presidente da Câmara, devolver a dignidade à designada e atraente Praça das Cortes.

O terceiro e último conjunto de circunstâncias, encontramo-lo, na função mediadora outrora desempenhada.

Disto nos dá conta o medievalista, José Mattoso “o eixo de todo o país, desde a época de Afonso Henriques é a via que vai de Lisboa ao Porto, por Santarém e Coimbra. É a grande artéria, por onde passam os homens e as mercadorias. O feixe onde se concentram as trocas e os contactos”.

Trocas e contactos entre regiões, a da Estremadura e a do Douro e Minho, com duas formas de organização, social e económica: a concelhia e a senhorial. Duas civilizações, mas não se formaram duas nações, devido à ação de charneira desempenhada por Coimbra, que aliviou e neutralizou a profunda tensão deslocadora Norte/Sul.

Faz bem, por isso mesmo o Sr. Presidente da Câmara, querer ver implantado entre as regiões de Lisboa e Porto, o aeroporto de Coimbra, infraestrutura indispensável como charneira para neutralizar o “efeito tenaz” dessas regiões que sistematicamente nos apertam.

E “nos chamam loucos”, por valorizar Coimbra e entendermos que num lugar de cultura, nenhum conhecimento ou arte é estranho e querermos ser “CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA”.

E tudo se fará, com a noção exacta, de que nos dinheiros públicos disponíveis, não cabe tudo. Não nos pautaremos por propostas populistas de grupos ou movimentos institucionalizados que não revelem uma vontade séria do caminho do futuro: de Coimbra!

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