Uma maternidade nos HUC? Haja juízo

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As Maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, com 107 e 55 anos, onde se realizam cerca de 5 000 partos por ano, fazem parte da história da cidade, da região de Coimbra e das suas populações, sendo reconhecidas a nível nacional pela excelência de cuidados que prestam na área ginecológica, obstétrica e neonatal.
Já abordámos este tema. Mas é necessário recuperá-lo, agora que está viva a discussão.
O desinvestimento nos recursos financeiros, logísticos e humanos destas instituições do Serviço Nacional de Saúde reflectiu-se na degradação das instalações e dos equipamentos, na redução dos recursos humanos e, consequentemente, na qualidade dos serviços prestados.
Em ambas encerraram serviços. Na “Bissaya Barreto” encerraram os serviços de esterilização, a farmácia, o laboratório e mais recentemente, o serviço de ginecologia. Na “Daniel de Matos” encerrou a cozinha e a esterilização, serviços que foram transferidos para os HUC.
A ideia publicitada de uma nova Maternidade dentro da cerca dos hiperconcentrados e povoados HUC, com acessos e estacionamento congestionados, não é solução. A centralização de valências no campus hospitalar dos HUC seria excessiva. O já caótico congestionamento de tráfego automóvel nas artérias circundantes de acesso rodoviário aos HUC aumentaria ainda mais.
A transferência da Maternidade Daniel de Matos e da Maternidade Bissaya Barreto para um edifício, construído para o efeito, com espaço e todas as condições para o funcionamento de um serviço de qualidade a prestar às mulheres e recém-nascidos é exequível e necessário. Assim, construa-se a nova Maternidade em Coimbra junto ao Hospital Geral dos Covões, equipado com as especialidades próprias de um hospital central articuladas com as exigências de apoio à Maternidade.
Aqui chegados, é urgente intervir nas duas unidades de saúde. A construção de uma nova maternidade demorará sempre demasiado tempo, pelo que, entretanto, se tem de acautelar a qualidade de serviço a bem da saúde dos bebés e das mães. Avance-se já com a execução de obras de restauro e beneficiação das instalações das actuais maternidades. Avance-se com aquisição de equipamento moderno e contratação de recursos humanos, para reforço e rejuvenescimento das equipas multidisciplinares de forma a manter o serviço de excelência nas áreas de ginecologia, obstetrícia e neonatal até que se conclua a construção da nova maternidade.
Não se pode perder tempo. Há soluções no interesse da saúde. Bem diferentes das soluções preconizadas pelos que sobrepõem os seus interesses económicos aos do Serviço Nacional de Saúde. Os mesmos que defenderam fusões de serviços ou até a extinção do Hospital dos Covões.

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