Opinião: Coimbra – Revolução nos transportes deve começar agora

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Os cidadãos de Coimbra foram abundantemente atingidos por notícias acerca do que poderá vir a ser daqui a 2 anos e meio o MetroBus, se tudo correr como o Governo propõe. Em contraste com esta avalanche informativa, em Coimbra a rede de transportes coletivos atravessa momentos aflitivos sem que (quase) ninguém o refira, se alarme ou faça algo para inverter o caminho de definhamento.

Os SMTUC são uma empresa que presta um serviço vital no concelho de Coimbra indispensável quer ao bem-estar das populações quer sobretudo ao desenvolvimento económico e social da região, entre outras razões. Não podemos, também por isso, permitir que o caminho vertiginoso de decadência na prestação do serviço e principalmente a não promoção da utilização do transporte público em detrimento do veículo particular, se assumam como as características a recordar após o inevitável desaparecimento deste recurso a breve prazo caso não se inverta rapidamente esta realidade.

Para se perceber melhor, os SMTUC transportam hoje 1/3 das pessoas que transportavam há 30 anos. É trágico, porque se reflete em toda a vida da Cidade. Nos últimos 10 anos perdeu de forma contínua quase metade dos passageiros ( 45,47%), com a consequente perda de receita bruta da venda de títulos da rede geral, na ordem dos 75%.

Nos últimos dois anos perdeu mais de 800 mil passageiros e o pior é que a perda tem-se vindo a acentuar de forma contínua. A Câmara injeta nos SMTUC cerca de 6 milhões de euros por ano e continua a perder para o transporte individual. A taxa de ocupação dos autocarros situa-se em 11%, ou seja, quase que com o mesmo dinheiro gasto poderiam transportar-se 4 ou 5 vezes mais pessoas.

Estamos demasiado preocupados porque estes números significam a breve prazo a INSOLVABILIDADE de uma empresa que é vital para Coimbra.

É um caminho galopante para o abismo. Estamos a falar de uma empresa que no final dos anos oitenta transportava 36 milhões de pessoas/ano, em 2009 transportava 28 milhões, e em 2017 12,6 milhões.
O regozijo com o Sistema de Mobilidade do Mondego OBRIGA a que seja recredibilizada a rede de transportes coletivos de Coimbra. A PROCURA tem que aumentar já este ano, e gradual e crescentemente em 2019 e 2020, sob pena de o novo modo de transporte não ter condições para competir com o rei automóvel individual.

EXIGE-SE agora que o Conselho de Administração dos SMTUC apresente um plano de recuperação de captação de passageiros para os próximos 3 anos.

A cidade cresceu, mudou e as linhas dos SMTUC mantêm-se praticamente na mesma, a cadência horária diminuiu e a fiabilidade dos transportes públicos erodiu-se, estimulando o tráfego automóvel privado. Não basta comprar novos autocarros para publicar belas notícias.

É preciso que a renovação da frota seja acompanhada pela melhoria generalizada dos indicadores de exploração, não se resolve com meros cartazes ou mensagens de apelo à utilização dos serviços públicos de transporte.

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