Opinião: Atrevidos

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Há um ditado popular que diz que “a ignorância é atrevida” (e junta “a sabedoria, em geral, modesta”). Esta expressão pode ter uma conotação negativa, quando se refere aos indivíduos que têm o irritante hábito de opinar sobre tudo (quantas vezes de forma convicta) mesmo quando não sabem do que estão a falar. Se atentarmos a muitos dos protagonistas do espaço público mediático (desde o nível local ao nacional) não faltam exemplos de gente que não hesita em expressar ideias (suas ou que ouviram) sem se importar com a solidez das mesmas.

Este efeito é hoje ainda mais ampliado pela facilidade com que qualquer pessoa pode espalhar seja que informação for por uma simples publicação nas redes sociais. Estamos pois sujeitos a que esse espaço público seja invadido e influenciado por um conjunto de “atrevidos” que, mesmo quando conscientes da sua ignorância, não a veem como obstáculo para emitir pareceres. Daí a importância de ter um sentido crítico.

Mas aquele ditado pode também ser visto de um ponto de vista positivo. Quantas vezes não aderimos a projetos ou aceitámos responsabilidades sem ter uma ideia completamente clara de tudo o que isso envolvia? E se soubéssemos, será que isso não nos faria desistir? À medida que amadurecemos, o arrojo (algumas vezes baseado no desconhecimento) é, com frequência, substituído pela prudência (muitas vezes baseada nas experiências). O ideal era que não perdêssemos o arrojo e fossemos capazes de passar a dizer que “a sabedoria (também) é atrevida”.

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