Opinião: António Arnaut

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O Dr. António Arnaut foi, por Coimbra, um cidadão de Portugal.

Faleceu uma das personalidades mais marcantes do Portugal Democrático e uma das maiores reservas éticas e morais que o País possuía. Portugal ficou mais pobre.

Desde sempre e em todas as ocasiões, consagrou a sua vida à defesa dos valores e das “causas” em que acreditava, desinteressado e generoso e que fariam dele uma voz escutada sempre, e por todos.

António Arnaut foi um Homem de dimensão inteira e de sólidas raízes que sempre soube caldear a defesa dos “valores” com o entusiasmo da defesa das ideias, onde a oportunidade de intervenção cívica constituía, invariavelmente, a demonstração da elevação em que assentava o seu pensamento. A sua retidão de vida, a sua simplicidade do gesto e a coerência com que defendia os valores humanos, é hoje a maior referência para os portugueses.

A sua superior e cativante inteligência aliada a uma jovialidade contagiante e à cordialidade do seu agradável trato, oferecendo sempre uma palavra de carinho e um sorriso nos lábios, foi um privilégio e uma honra para quem teve a oportunidade de com ele conviver.

Como em tempos escrevi e hoje recordo, ”nunca lhe faltaram diversidade de interesses e ecletismo das funções: de Governante a Advogado, de Político a Escritor, de Poeta a Historiador, o Dr. António Arnaut deixa gravada na pedra secular da vida a elevação do seu pensamento e a vibração da sua intervenção cívica.”…”… é o testemunho vivo da gesta do SNS, tem sido o seu advogado, perfila-se permanentemente como o seu guardião, é o pedagogo que nos instrui sobre como podemos melhorar e defender este património – sem desfalecer, ao longo de 38 anos!”

Mas é também na expressão literária que inscreve o seu nome na galeria dos homens notáveis de Portugal e onde realiza em toda a plenitude a expressão de humanismo, ética e moral, virtudes porque sempre se orientou na vida de Homem e de Cidadão.

Da riqueza imensa que a sua palavra e o seu espírito sempre generosamente derramaram sobre nós, amigos e admiradores, atrevo-me a transcrever, à maneira de resumo de uma vida e como modelo de cidadão, enxertos tocantes de um dos seus mais magníficos poemas “Um Homem que partiu do seu regresso”, publicado em 2017, que aqui reproduzo como sinal do encantador legado de quem, como António Arnaut, quando interrogado, sempre se definiu como poeta!:

“… Continuas o mesmo cidadão comprometido
o mesmo pacifista revoltado
contra as injustiças do mundo,
mas só tiveste como armas
a modéstia do teu exemplo
a coerência das tuas convicções
a rebeldia da tua voz.”

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