Opinião: ADSE criticada pela Associação 30 de Julho

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“Morre o bicho, acaba-se a peçonha”
(provérbio popular).

Acabo de ler no “Público”, em chamada de 1.ª página, que o “ex-presidente fez nomeações depois de sair da ADSE”.

Na respectiva página 23, está impresso: “O conselho directivo da ADSE, cujo presidente Carlos Liberato Baptista está demissionário, aprovou na quinta-feira a nomeação de 16 dirigentes dos novos departamentos e divisões do instituto que gere o sistema de assistência na doença da doença da função pública”.

Felizmente, porque ainda há gente neste Portugal, como diria Camilo, sem curvar a cerviz a vizires, não cedendo a artifícios legais, quais piruetas que tentam justificar o injustificável, transcrevo dessa mesma notícia: “A chamada de atenção para as nomeações de dirigentes intermédios por parte do presidente demissionário partiu da Associação 30 de Julho (criada por um grupo de benificiários da ADSE), considerando que elas ‘visam condicionar’ a acção do futuro presidente”. Isto é, em contradita com o provérbio popular, em epígrafe, porque nem sempre que um dirigente se demite acaba a sua peçonha.

Acresce o facto do presidente demissionário da ADSE não pode ser tido como simples menino de coro por uma auditoria do Tribunal de Contas ter noticiado que o Governo está a financiar o Orçamento de Estado à custa da ADSE por os funcionários públicos estarem a pagar mais 228 milhões do que seria necessário (“Expresso”, 17/07/2015 ), contrastando esta situação com a notícia, publicada, três anos passados: “ADSE gastou mais 40 euros por beneficiário em 2017.

Despesa com cuidados de saúde disparam e ameaçam contas do sistema” (“Público”, 10/05/2018 ). Será que a culpa dos reponsáveis por este “statu quo” morre solteira?

Entretanto, não posso deixar de estranhar o silêncio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e dos Verdes (penitencio-me se me demonstrarem que estou a ser injusto!) por uma medida do Partido Socialista de desprezo pela velhice que mereceu de Arnaldo Gama o queixume: “Para isto é que eu vivi! Malditos anos! Maldita velhice!” Essa medida, enviou familiares de beneficiários da ADSE para uma espécie de antecâmara da morte: um Serviço Nacional de Saúde, a rebentar pelas costuras, que não podia, e muito menos devia, ser sobrecarregado com a chegada de novos “clientes”, até recentemente, beneficiando dos serviços da ADSE.

Muitos deles, no ocaso da vida, padecendo de doenças inerentes à sua idade que os obriga a ficarem para sempre amarrados a uma cadeira de rodas, sem ‘lobbies’ ou escritórios de advogados que os represente (Bagão Félix) e, essencialmente, sem o traquejo de doentes que têm sido assistidos a vida toda pelo Serviço Nacional de Saúde, “et pour cause”, com o hábito enraizado de se desenrascarem (passe o plebeísmo de caserna!).

Doentes, chutados de supetão da ADSE, normalmente, sem terem familiares que os possam acompanhar às consultas hospitalares, por se encontrarem em horas de serviço, são coagidos a aceitarem o facto de serem tidos como trapos velhos de que umas tantas crianças de antigamente faziam bolas de futebol de rua por as magras bolsas de seus pais não lhes permitirem a compra de bolas de couro.

Séculos atrás, interrogava Eça: “Pode exigir-se que haja um Dante em cada paróquia e exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos?” Claro que não! Mas deve-se exigir, isso sim!, que os cidadãos, com responsabilidades na direcção da “res publica”, não tenham falta de competência que deslustre e, muito menos, ausência de ética que desonre!

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