O Teatrão a pensar o país dos últimos 50 anos com a peça “Eu Salazar”

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No ano em que passam cinco décadas sobre o momento em que Salazar deixou o poder, o Teatrão propõe-se contribuir para o pensamento e o debate necessários sobre o país que somos. A companhia de teatro de Coimbra estreia no dia 25 de abril, às 21H30, na Oficina Municipal do Teatro (OMT) de Coimbra, o espetáculo “Eu Salazar” – com encenação e dramaturgia de Ricardo Vaz Trindade, para textos de António de Oliveira Salazar, Nuno Camarneiro e Ricardo Vaz Trindade –, num projeto global que integra ainda um road movie, oficinas para alunos do ensino secundário e um conjunto de mesas-redondas.

Antes da digressão que passará por Lisboa, Porto, Aveiro, Guarda, Tábua, Santa Comba Dão e Ponte de Lima, o espetáculo estará em apresentação na OMT, em Coimbra, numa temporada a prolongar-se até 13 de maio, com sessões às 21H30 de quarta-feira a sábado e, às 19H00, aos domingos. Logo no dia de estreia do espetáculo – 25 de abril, às 17H30 –, tem início um ciclo de quatro mesas-redondas [ver programa] organizadas por Joana Brites, Luís Reis Torgal, Rui Bebiano e Miguel Bandeira Jerónimo, os consultores científicos deste projeto do Teatrão.

De acordo com fonte da produção, “diferentes vivências pessoais foram injetadas e questionadas durante o processo” de criação do espetáculo, com “particular interesse na mitificação desta figura indecifrável” que é Salazar.

Assim, asseguram os responsáveis pelo projeto, tomou-se como ponto de partida o que se considera “conhecimento comum” sobre Salazar – “e como todos nós, cidadãos, achamos que sabemos muito sobre ele” – para procurar o sentido das “verdades” que foram “mastigadas por gerações”. A busca, que desagua no espetáculo, adianta ainda o Teatrão, “é feita de contradições, de revolução, de reação. E envolta em polémica, porque Salazar não era o regime, no entanto, o regime era Salazar”.

Por outro lado, assumem os responsáveis pelo projeto, “o processo colaborativo e as residências criativas em equipa têm reflexos claros na dramaturgia”, que se ampara em investigação social e histórica, a contar com o apoio dos investigadores Joana Brites (CEIS20), Luís Reis Torgal (CEIS20), Miguel Bandeira Jerónimo (CES) e Rui Bebiano (Centro de Documentação 25 de Abril). O envolvimento destes vários centros de investigação académica tem o objetivo de “trazer a produção de conhecimento para fora do circuito fechado da academia, imprimindo um paradigma de trabalho que é muito caro ao Teatrão – entre a criação artística, a comunidade e a academia”.

A ligação ao meio escolar, com muitas escolas de Coimbra – Quinta das Flores, Avelar Brotero, José Falcão, D. Dinis, D. Duarte e Jaime Cortesão –, procura “compreender e incluir a visão de gerações mais novas para complementar, questionar ou contradizer”. O que é fundamental neste olhar para o país que somos.

 

“Eu Salazar” | mesas-redondas | OMT:

25 abril | 17H30

“O Portugal do Estado Novo” | moderação de Miguel Bandeira Jerónimo | com Cláudia Castelo, Joana Brites, Álvaro Garrido, Pedro Monteiro

 5 maio | 17H30

“Arte, Tradição e Modernidade” | moderação de Joana Brites | com Mariana Pinto dos Santos, Manuel Deniz Silva, Gustavo Rubim,

 12 maio | 17H30

“Oposições e Resistências” | moderação de Rui Bebiano | com Irene Flusner Pimentel, Luís Trindade, Miguel Cardina

 13 maio | 21H30

“Salazar – O Homem e o Mito” | moderação de Luís Reis Torgal | com Fernando Rosas, António Araújo

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