Opinião: Para onde queremos ir?

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O sentido crítico e a liberdade de uma sociedade são importantes. Em qualquer circunstância e independentemente de podermos concordar ou não com os seus conteúdos. Portanto, com todo o respeito pelos alunos e professores (?) “indignados” do ISCSP a propósito de um ex-Primeiro Ministro ir dar aulas naquela instituição, este tipo de atuação revela que existe uma forma estranha de viver em democracia e de encarar o exercício de cargos políticos. Este modo de destilação de veneno contra a classe política prejudica enormemente as nossas vidas, disfarçando falta de informação e de sentido cívico. Sim, com mais cidadania, saberíamos discutir melhor os temas políticos e , com certeza, ganharíamos todos, uma vez que são os políticos que governam a nossa vida coletiva, para o bem e para o mal.
Um ex-Primeiro Ministro, e por maioria de razão, aquele que recebeu um país falido e teve de enfrentar um processo de ajustamento e de controlo externo, coordenando várias políticas sectoriais, durante 5 anos, tem, obviamente, imenso para partilhar e ensinar com um pano de fundo consubstanciado na vida prática e real. Mas, talvez por razões ideológicas ou, dizem, por razões de pantominice académica, aqueles “alunos” fizeram um abaixo-assinado com a pretensão de recusar as aulas porque , passo a citar, “alguém que nunca preparou uma tese, não estará à altura de ensinar alunos de Mestrado e de Doutoramento”. Não sei se esta é a mesma “claque” que enche salas para Doutoramentos “Honoris Causa” de algum ex-político estrangeiro que, talvez por não ser português, entra no reino dos abençoados que dão o melhor de si ao serviço público, mas acho indecoroso, independentemente de ideologias políticas, que se promovam este tipo de movimentos. Um ex-governante não deve trabalhar em empresas privadas, em empresas públicas, ensinar em Universidades, portanto, perguntar-se-á a que é que se deve dedicar para ganhar a vida de forma honesta?
Queremos políticos competentes, mas dizemos que são todos iguais. Queremos políticos honestos, mas ficamos indignados com qualquer função que assumam quando deixam de o ser. Dizemos que a política tem de ser renovada, mas não admitimos nenhuma reintegração digna com o seu estatuto. Enfim, queremos ser melhor governados, mas , com o advento das redes sociais , destilamos cianeto de forma clandestina , sobre o que estiver mais a jeito , desde que cheire a política. Depois queixamo-nos de que há populismos, que aparecem os “Trump da vida”, e que são todos feitos da mesma cepa. Não são. Mas, se continuarmos a navegar nestas águas, não tardará que tal fatalidade aconteça mesmo.

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