Opinião: Que ganhe o populismo!

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Aos movimentos de cidadãos independentes, como o Somos Coimbra, critica-se amiúde o alegado populismo. Porque não têm ideologia… Porque apregoam o que qualquer cidadão sensato deseja…

Ah, sim!?

Pensando em Coimbra, será, então, populista o desejo de recuperar o centro histórico e dar vida à Baixa? Porque todas as pessoas sensatas o querem também, é populista o nosso desejo?

Ou, ao contrário, o desejo é sensato, e até muito desejável, mas é populista a falta de uma estratégia concreta para o realizar?
É que, sem rodeios vos digo que, se assim for, em nome do Somos Coimbra, venho propor um acordo a todos os espíritos críticos e não populistas.

Acordo simples e satisfatório para todos, como convém: nós aceitamos o epíteto de populistas e fazemos-lhe jus, propondo a realização de todos os desejos próprios dos sensatos. E, estes, como contrapartida, exigem a sua realização aos ideólogos que a podem assegurar.

Ora, pois sim. Mas, como?

E é, aqui, que nos aproveita, de novo, a crítica de falta de ideologia. E porquê? Porque parece que também somos uns requintados pragmáticos. Pois que seja. Mãos à obra, ideólogos e sensatos cá do burgo! Que comece, pois, o desejado debate das ideologias! Sem crises identitárias, vacilações ou receios, venham de lá os ideólogos!

Queremos uma bolsa de habitação renovada e gerida pela Câmara? Ou, ao contrário, preferimos o mercado livre a funcionar?

E, se assim for, com ou sem intervenção autárquica?

E quanto ao comércio? Taxamos os incumpridores? Com base em que regulamento? Queremos ser reguladores? Ou, antes, simples espectadores que, ao sabor de ventos e marés, se congratulam com o número crescente de turistas e se deprimem com o encerramento de mais uma livraria?

Serviços? Os da autarquia, bem se vê, mantemo-los onde sempre funcionaram, por respeito à tradição? Ou pensamos em alternativas criativas que contribuam para a dinamização dos espaços?

Chamamos a indústria? Como? Mas, não o fazemos já? – responderão os tais sensatos do alto da sua ideologia. Afinal temos vários espaços concebidos para receber empresas. Não basta!?

Eu, que nesta matéria, pragmática me confesso, gostaria muito de participar naquela discussão ideológica. Contem comigo. Comigo e com o Somos Coimbra. Com os nossos desacordos internos por falta de uma ideologia comum, isto é, por excesso de ideologias. E passamos à crítica derradeira: se assim é, poderemos nós chegar a uma conclusão que não comprometa a identidade do concelho? Sim, podemos. (o vigoroso ‘yes, we can’, de novo.)

Sim, podemos. E devemos.

Vamos lá testar a nossa maturidade democrática. Vamos ouvir as pessoas e decidir. Porque é nosso dever traçar o destino de Coimbra.

Sem demagogias, com ideologia e pragmatismo, vamos, então, ser populistas.

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