Opinião – Trapalhadas fora de tempo

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Noticiou As Beiras, há dias, que “O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito que envolvia o ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre alegados benefícios em troca de bilhetes para um jogo de futebol do Benfica, revela hoje a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL). Numa nota divulgada na sua página da internet, a PGDL justifica que o MP determinou o arquivamento do inquérito por inexistência de crime”. Ainda bem. Mas algo está mal neste caso.

Haverá centenas de razões para não se simpatizar com um ministro das Finanças, mas nenhuma justifica que ele seja vexado por alegadas vantagens ilícitas. O que não significa que PJ (Polícia Judiciária) e MP não tivessem de averiguar o caso, mesmo que ninguém acreditasse que pudesse haver relação causal entre tais pedidos. Pelo que PJ e MP atuaram como deviam, assim como os meios de comunicação, que, ao saberem do acontecido, encheram literalmente o mundo com notícias, pois o seu negócio é vender informação. O que está então mal no caso? Falta de ética e bom senso de uns, e sobretudo fugas de informação intoleráveis em processos de averiguações!

É que, se as solicitações aconteceram, revelam faltas de ética e de bom senso de pais extremosos para satisfazer diletos filhos, mas só por má-fé se poderão ver indícios de vantagens ilícitas em condutas normais entre amigos. Ora, quem corporiza o presidente do Eurogrupo, e quem preside ao clube, se agiram de tal modo, deverão ser amigos. E a gravidade deste caso não se compara à de certos grandes beneméritos, que andam a ser investigados há tempo demais para se provar se deram, ou não, quantias avultadas a alguns dos seus amigos que já abriram inúmeros telejornais.

Também a nota do ministério das Finanças, de não haver violação do código de conduta que impede qualquer governante de aceitar lembranças que excedam 150 euros, foi supérflua. É que não tendo preço os lugares duma bancada presidencial – que são sempre oferecidos – os mesmos não se comparam aos comprados para as bancadas centrais dos estádios dos “grandes do futebol”. E não é crime convidar quem se quer, e dar as borlas que se entenderem, até a quem se der por convidado! E claro que há muitas coisas e realidades sem preço, como a amizade sentida genuinamente entre dois seres, em que um tem aquilo que o outro quer ter. É próprio da vida…

Agora que estes assuntos estão na ordem do dia, lá isso estão! Basta notar que até o ministro da Economia, numa feira na Alemanha, aceitou participar num concurso de uma empresa lusitana, na condição de a viagem a sortear ocorrer em Portugal, para caber num orçamento de 150 euros. Mas, se a viagem incluir “comes e bebes”, talvez dê para irem de “cacilheiro” a Cacilhas comer caracóis, se não se alargarem nas bebidas, pois há garrafas de belíssimos vinhos que podem subverter os mais prudentes cálculos de quem tem a baliza de 150 euros para aceitar presentes. Este “plafond” nem dá para uma amostra de caldeirada num restaurante dirigido por um “chef” premiado com estrelas, daqueles que estão sempre repletos de gente rica, e de outros colunáveis.

Atualmente há uma enorme desconfiança pública sobre possíveis relações iníquas entre futebol, empresas e política, como as que, depois de divulgadas, levaram políticos à demissão, por terem ido a França ver jogos do Europeu a expensas de empresas. Mas abalar a imagem de Portugal no mundo, e debilitar uma incipiente carreira europeia por dois bilhetes, é demais, até no Carnaval. O primeiro-ministro já viera dizer ao povo que o ministro ficava! Só que o povo, que até adora trapalhadas no Carnaval, anda farto das que ocorrem ao longo dos anos, e ano após ano. Quanto à tolerância de ponto neste Entrudo, só para a função pública, mostra que o Governo julga que a produtividade do país não depende desta, mas sim de alguns “privilegiados” de setores privados.

 

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