Opinião – Bernardino Machado

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Bernardino Machado, nasceu no Rio de Janeiro no dia 28 de março de 1851, tendo dedicado toda a sua vida ao desenvolvimento de Portugal, quer como pedagogo e cidadão preocupado com o progresso educacional e cultural dos portugueses quer como político interventivo, em prejuízo da sua vida pessoal e particular.

Defendeu sempre a liberdade e o auxílio aos mais pobres e desprotegidos, a quem urgia alterar estruturalmente a sua lamentável situação.

Em 1860, a sua família regressou a Portugal. Em 1866 matriculou-se, na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Filosofia.

Em 1872, optou pela nacionalidade portuguesa. Aos 28 anos era Professor Catedrático da Faculdade de Filosofia, tendo criado a cadeira de Antropologia, Paleontologia Humana e Arqueologia Pré-Histórica.

Casou-se em 1882 com Elzira Dantas, de quem teve 19 filhos.
Em 1891, dirigiu o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e colaborou no Plano de Reforma do Ensino Profissional. Dois anos mais tarde foi o responsável pela remodelação do Ensino Agrícola.

No domínio da pedagogia, Bernardino Machado procurou desenvolver um modelo educativo que ultrapassasse os constrangimentos provocados pela origem social ou de género (apoiou o ensino feminino e a igualdade de oportunidades), tendo ainda descentralizado o ensino comercial e industrial.

Foi deputado pelo Partido Regenerador, a partir de 1882.
Em 1893, exerceu o cargo de Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Fundou o Museu Etnográfico Português, regulamentou o trabalho dos menores e das mulheres nas fábricas, mandou instalar o cabo submarino para os Açores e ordenou a construção de diversos faróis ao longo da costa portuguesa.
Foi Grão-Mestre da Maçonaria. Em 1903, aderiu ao Partido Republicano.

Em 1907 ocorreu uma revolta académica na Universidade de Coimbra que depois alastrou a Lisboa e ao Porto. Bernardino Machado, em solidariedade para com os estudantes expulsos, solicitou a demissão do cargo de Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.

Em sequência, foi exonerado desse cargo, tendo sido homenageado, três meses mais tarde, por diversos políticos e intelectuais, que apoiavam a sua tomada de posição, entre os quais Teófilo Braga, António José de Almeida, João Chagas e Consiglieri Pedroso. Só em 1919 viria a ser reintegrado na universidade.

Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1910. Candidato a Presidente da República em 1911. Embaixador no Brasil em 1913. Primeiro-ministro em 1914. Em 1915 foi eleito Presidente da República.
Após o golpe militar de 1917, Bernardino Machado foi destituído, preso e expulso do país. A ditadura de Sidónio Pais iria durar cerca de um ano (até ao seu assassinato).

Regressou a Portugal em 1919. Em 1921 voltou a desempenhar as funções de Primeiro-ministro.

Em 1925 foi eleito, pela segunda vez, Presidente da República. Após o golpe militar de 1926, Bernardino Machado partiu para um segundo exílio (Espanha e França). Muitos dos seus familiares foram perseguidos e presos pelo novo regime ditatorial.

Em 1940, já bastante idoso e com a sua fortuna pessoal depauperada, aproveitou uma amnistia proclamada por Salazar e regressou a Portugal, juntamente com outros exilados políticos. Foi detido logo na fronteira. Acabou por ser autorizado a residir nos arredores do Porto, mas proibido de se deslocar a sul do rio Douro.
Faleceu no Porto, no dia 29 de abril de 1944, aos 93 anos de idade.

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