MP pede condenação do irlandês que agrediu docente à machadada

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O Ministério Público (MP) pediu ontem a condenação do investigador irlandês acusado de tentar matar uma docente da Universidade de Coimbra (UC), considerando que o arguido cometeu os factos constantes na acusação.
O antigo doutorando da UC, de 37 anos, está acusado de homicídio qualificado na forma tentada por ter desferido vários golpes com uma machada na docente Filomena Figueiredo, no Departamento de Física, a 4 de agosto de 2014.
O crime ocorreu no dia em que o investigador foi informado de que tinha uma dívida de mais de 5.000 euros à UC e que o seu orientador tinha pedido renúncia para prosseguir com a orientação do doutoramento.
No entanto, a procuradora do MP solicitou atenção para a condição psicológica do arguido, que sofre da síndrome de Asperger, uma forma de autismo, que o pode “tornar perigoso para terceiros”.
Apesar do relatório pericial considerar o antigo doutorando imputável, o psicólogo clínico Pedro Alves, que o acompanha desde outubro passado, atribuiu esta tarde os seus comportamentos e atitudes à Síndrome de Asperger, que o faz não ter “consciência dos atos”.
Nas alegações finais, que decorreram também durante a tarde, no Tribunal de Coimbra, o advogado António Novais Teixeira, defensor da docente agredida, pediu a condenação do réu como consta na acusação.

Notícia completa na edição impressa de hoje

4 Comments

  1. Glenn Gould says:

    São conhecidos casos de doutorandos que tiveram que renunciar às orientadoras e aos orientadores, dado que estes últimos também tinham Síndrome de Asperger Encapotado (um diagnóstico ainda mais especial e ímpar na História da Nosologia Psiquiátrica) e que precisamente por isso, são também muito perigosos para terceiros e para a sociedade em geral, e de variadíssimas maneiras. Por terceiros, entenda-se todos aqueles que não fazem parte da camarilha deles. Por sociedade em geral, não se entende lá muito bem o que seja, dado que na sociedade em geral também há muitos malfeitores, todos eles caracterizando-se por uma consciência aguçadíssima do prejuízo que causam à vida dos desgraçados. O Síndrome de Asperger Encapotado tem uma Semiologia muito complexa de decifrar… 🙂
    Estavas do lado errado do Poder, ó Doutorando do Machado. Devias ter tido mais tino.

    • Paula Faria says:

      É muito frequente pessoas com high functioning autism, psicotizarem. Sobretudo em nichos de trabalho onde a actividade é propícia ao isolamento social, como é o caso. Mas tal não parece coincidir com esta situação.
      É mais plausível uma situação de incompatibilidade de valores pessoais e profissionais (éticos, morais, e às vezes até diferendos relativos a crenças religiosas) entre o orientando e os orientadores e alguns dos colegas investigadores.
      Por vezes, a melhor alternativa é renunciar à instituição de acolhimento e abandonar em definitivo o programa doutoral onde se está inscrito por forma a poder procurar um local de trabalho com valores mais convergentes. Nesses casos, dever-se-á comunicar a situação/opção de renúncia à instituição de acolhimento/orientadores, e consequente abandono do programa doutoral à entidade que está a garantir o financiamento do doutoramento, no caso em particular, a Fundação para a Ciência e Tecnologia. É uma forma de recomeçar a vida, de não desitir da actividade de que mais se gosta, e procurar viver de modo mais feliz e satisfatório.

  2. Bei McDonald's says:

    A conduta deplorável dos orientadores deste homem, que por sua vez também veio a apresentar um comportamento inaceitável, pode radicar nada mais, nada menos, numa quebra de tréguas entre o córtex límbico e o córtex cerebral. Em ambos os casos, orientadores e orientando, o consenso entre os dois tipos de córtex não é de natureza estável e temporalmente consistente. Ora isto posto assim, configura orientadores e orientando como potenciais répteis onde, como muito bem escreve Michael Crichton na sua novela de duvidosa qualidade – The Terminal Man – é sempre muito possível o cérebro crocodilo tomar o córtex cerebral de assalto, e de modo assim não tão intermitente quanto isso.
    Ainda se o cérebro crocodilo tomasse de assalto o córtex cerebral para simplesmente degustarem um cafezinho com um delicioso pastelinho de nata… 😀
    Comportamentos pouco cívicos de menor gravidade do que os ocorridos e descritos poderão também ser explicados por esta paz de natureza complexa e instável, caso do que sucede com os condutores que estacionam o carro nos passeios em vias estreitas de cidades com escoamento difícil do trânsito e em hora de ponta, para prosseguirem com conversas irrisórias com os seus telemóveis. Vá-se lá saber com que intentos…
    Tudo consequência do crocodilo inquieto… 😀

    • Bosão Ão Ão says:

      Não conheço os contornos desta história insólita, mas concordo contigo Bei Shizhang.
      Faz-me lembrar aquela estucha pimba do "É o Bicho! É o Bicho! Vou-te devorar! Crocodilo eu sou!"
      Com os simpáticos orientadores e coleguinhas deste não menos apetecível petisco de Croco universitário que afinal de contas acabou por se virar contra o Bicho Comilão Academicus com a gadanha da Morte, como protagonistas principais deste very dark movie. 😀
      O tipo vai de cana, ainda vai ter de pagar indemnização do salário que não tem, e as Profas. e os Profs. lá das Físicas depois fazem uns congressos, umas quantas tertúlias e outras tantas ações de benemerência para limpar a imagem, e está o problema resolvido. É o Bicho! É o Bicho! Foge!
      Já agora Bei, andas a comer muito. Estás a ficar com bocha e papo. Que feio, pá!

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