Opinião: Rudyard Kipling

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Morria em Londres, há exactamente 82 anos, Rudyard Kipling, prémio Nobel da Literatura em 1907. A obra do escritor inglês (mais bem dito, do império inglês) justifica uma breve nota que passe em revista a sua diversidade e a sua orientação para múltiplos públicos.

À cabeça, Kipling ficou conhecido pelas suas histórias para a juventude. Nesse domínio “O livro da selva”, uma coleção de contos, é o mais conhecido registo. A aventura de Mogli, a criança abandonada na selva, adotada por uma alcateia e que, ao longo da história se vai relacionando com animais diversos, o urso Baloo ou a pantera Bagheera por exemplo, que, correspondem, grosso modo, a certos tipos humanos.

Ainda nesse domínio, assinala-se que “O livro da selva” (a par com “Kim”) serviu de inspiração a Baden Powell para a génese do movimento escotista e muita da gíria do movimento (as “alcateias”, por exemplo) decorrem da narrativa de Kipling.

Uma outra dimensão da obra de Kipling é a da reflexão crítica sobre o imperialismo britânico. Ela está vertida, por exemplo, em “O homem que queria ser rei”. É talvez o vetor mais sinuoso da obra de Kipling, objeto de vários mal-entendidos, tendo o escritor sido por várias vezes tomado como um defensor intransigente do colonialismo e da superioridade do homem branco.

Resta, claro, a componente ética do legado de Kipling. Aí é “Se”, o famoso poema, um notável manual para uma vida bem ordenada, que ocupa o lugar central.

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