Opinião: Ir ao dentista

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Quase toda a gente tem medo de ir ao dentista. Talvez porque as dores de dentes são difíceis de suportar. Hoje, felizmente, a anestesia local “faz milagres”, e as dores são mais “psicológicas” do que reais. Valorizamos pouco os extraordinários avanços da medicina e o facto da maioria dos jovens não ter cáries.
O meu pai conta que a sua mãe teve que “dar uma vaca ao dentista” para poder tratar os dentes aos filhos. Nessa altura só a burguesia tinha posses para ir ao dentista. A minha avó sacrificou-se porque deu valor “ao sorriso” dos filhos. Mais tarde, nos anos 60, a mudança para um “estomatologista” em Luanda levou o meu pai a ter que comprar meia libra de ouro para fazer uma coroa. Este ouro durou dezenas de anos, cumprindo com a sua função.
Quando eu era miúdo, nos ano 70 e 80, ir ao dentista significava ainda uma desagradável vibração, as brocas eram lentas e dolorosas. “Os buracos” eram tapados com “chumbo” (amalgama), que por vezes não durava muito, “saltava”. No meu ano de estudante na Alemanha, o dentista foi uma “estudante” em fim de curso. Necessitava de preencher os pontos necessários para concluir a licenciatura, tratava colegas e os “pobres enviados pela Segurança Social”.
A evolução permitiu que muita gente tenha hoje acesso a tratamentos caros e sofisticados. Apesar do avanço tecnológico, há coisas que permanecem. Um bom médico dentista é aquele que consegue estabelecer uma relação de empatia com o paciente. Percebe as suas dores, tem uma palavra de conforto e observa-o para além dos dentes. Será sempre assim.

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