Opinião: Fala o Presidente

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Norberto Canha

O discurso do novo ano de Sua Excelência o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa merece que lhe dedique as seguintes reflexões:
Dos Presidentes da República com quem tive algum contacto ou de cuja intervenção tive algum conhecimento, quero salientar o General Higino Craveiro Lopes que, se a juventude o tivesse escutado, talvez não tivesse ocorrido a hecatombe que caiu sobre o nosso império (colónias).
Segundo, o General António Ramalho Eanes. Se não fosse ele, teríamos caído no sanguinário triunfo do comunismo.
Terceiro, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente dos Afectos e do Povo. Da sua mensagem de fim de ano, que considero brilhante, há que considerar o passado, o presente e o futuro. Quanto ao passado, parece-me que, devido à imagem que criou é o único capaz de manter o equilíbrio entre os que querem construir e os que querem destruir, predominando a construção, isto é, o produzir, como ele muito bem acentuou.
Melhor seria que conseguisse constituir um governo com elementos de todos os partidos, isto é, um governo de solidariedade nacional, em que a partidarice passasse a segundo plano dos objetivos ou conveniências dos partidos, cujo objetivo único, segundo a prática que tem vindo a acontecer, é servirem-se e não servirem como as notícias da imprensa nos levam a acreditar que assim seja.
Senhor Presidente, impõe-se o triunfo da democracia, que não temos, pela minha definição que é permitir e poder actuar em consonância com a nossa consciência…
É assim que muitas famílias se destroem e até em plena juventude se suicidam por não terem emprego – que a imprensa, felizmente, não noticia a causa, mas as autópsias indiciam que assim é. Já não quero falar nas centenas de drogados que, por uma ou outra razão os acompanham…
Os sindicatos não devem pensar apenas nos aumentos de vencimento, mas nas consequências da sua frequente insensatez…
É altura de que as greves não sejam feitas com o braço no ar, intimidando, mas por votação secreta!… É assim que a fábrica de um meu amigo que dava emprego a 300 operários encerrou e ele e a família teriam ficado na miséria se não fosse a sua capacidade de se dedicarem a uma nova actividade.
Senhor Presidente, arranje conselheiros, não teóricos e palavrosos, que entendam de agricultura, de saúde, de indústria… Pois que o equilíbrio das finanças à custa do turismo e do aumento de impostos que está a acontecer, faz com que o apregoado aumento dos vencimentos não colmate o preço das rendas, particularmente em Lisboa e até mesmo já no Porto. Lembrem-se que, com o turismo, verdadeiramente a única fonte de rendimento, poderá vir a ser o mesmo que o acontecido na Holanda com as tulipas…
Uma das primeiras preocupações deverá ser o ensino, para que não haja um excedentário de cursos universitários ou equivalentes e predominem os cursos profissionais, em todos os domínios, para que a juventude, mais criativa, não tenha que emigrar e se relance a esperança no nosso país…

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