Opinião – Do Alentejo e da Figueira

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Os últimos dias de 2017, passei-os no Alentejo, perto de Monsaraz. Num reviver da juventude, fui visitar o palácio de Vila Viçosa, onde tinha estado aos quinze ou dezasseis anos, numa visita organizada pelo extinto Colégio Academia Figueirense. O guia recordou-nos, a mim e a outros visitantes, que a palavra “tea” tinha como origem a identificação, inscrita na base dos caixotes “transporte (de) ervas aromáticas” exportadas Portugal para Inglaterra, na época de D. Catarina, nascida em Vila Viçosa em 1638 e que casara, em 1662, com Carlos II de Inglaterra, levando como dote Bombaim e Tanger, e introduzindo nas ilhas britânicas o costume do chá das cinco.

A visita consolidou a minha ideia de que a realidade, e a sua narrativa, de factos, ou da arte dependem do tempo em que ocorre. Precisando: por ocasião da minha visita, em 1952 ou 1953, o guia chamou-nos a atenção de um quadro retratando o do rei D. Carlos a cavalo, acompanhado seu estado-maior.

Foi referido como importante que um dos acompanhantes era o pai do general Craveiro Lopes, se a minha memória não falha. Em 2018, recordar o general Craveiro Lopes seria um revivalismo, no mínimo politicamente incorrecto. Mas, por ser culturalmente correto, recordo que o conde de Monsaraz, poeta, teve casa na Figueira, na quinta das Olaias. Não esquecendo que por lá se reuniam os apoiantes de Rolão Preto.

 

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