Opinião – Coimbra não é importante para Lisboa

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Estamos todos estafados de dizer e sobretudo saber que Lisboa cidade, Lisboa capital, Lisboa política, não “passa cartucho a Coimbra. É uma verdade inquestionável.

Ainda não há uma semana, um jovem da cidade Invicta compareceu num determinado serviço público, nomeado pelo governo, e ninguém em Coimbra sabia! Venha ele, disseram alguns, o que demonstra a incapacidade de Coimbra se impor. Aqui não há gestores… nem engenheiros!

Vem isto a propósito da necessidade imperiosa de encontrar líderes de opinião que, de uma forma pedagógica, e por isso inteligente, consiga fazer convergir todas as “capelas” unindo-as num objetivo comum.

Na verdade, quem poderia fazer a síntese do pensamento da cidade e da região, defendendo a sua identidade, não se quer misturar com gente que faz da lama o seu habitat natural.

Por isso, nesta cidade de invejas ou invejinhas – tipo “se tu fazes, o que eu tenho de fazer é desfazer” – vão galopando os sem mérito assinalável.

Quem, por efeito de poder legítimo, deveria fazer essa síntese, tem como entretém misturar-se. É da vida, como se costuma dizer!

Escrevi em tempos, repetindo-me sempre que me aprouver, que dou a minha preferência a relações pessoais e institucionais com cavalheiros e não com carroceiros.

Quando cavalheiros – agora já nem tenho a certeza se o serão! – se misturam e descem ao nível mais baixo, já nem sei mesmo o que pensar e que já não há mais fundo onde bater!

Cada um que enfie o garruço como entender!

Em política, como na vida, não nos podemos lembrar de uma qualquer coisa ao levantar, dispará-la, e depois dizer: ei, malta, é tudo para dizer “sim senhor”!

Em política, isto não existe. A não ser que o líder seja único e só… com a “mainatagem” a obedecer cegamente! Então, quando existem favores a pagar, sim, é tudo muito mais fácil!

É fundamental “alimentar” o contraditório. É determinante alimentar a discussão em redor dos temas mais importantes.

Sim, eu sei, como todos sabem que, conhecimento abunda para esta zona, mas não é partilhado.

A grande questão que se coloca agora, e que se colocará no futuro que nos vai entretendo, é a questão do aeroporto da região centro.

Confesso que eu preferia ter um aeroporto aqui ao pé de casa, não porque tenha de fazer muitas e grandes viagens, mas sobretudo, para chamar cidadãos empresários à nossa cidade. Dar-lhe uma roupagem diferente.

O drama para a região centro, é que nem os presidentes de Câmara do Distrito de Coimbra e nem mesmo os líderes políticos se entendem. Cada um rema para o seu lado, o que se me afigura, como uma brincadeira de mau gosto.

Se vivêssemos sós, sem vizinhos, sem explicações para dar, únicos, admitiria tal. Só que, a divisão latente na região centro é de tal forma grande, que as duas comunidades mais poderosas brincam connosco como se todos fôssemos marionetes.

Não nos devemos sentir disponíveis para ser a marionete de alguém. Deveremos ser nós próprios.

Para isso deveríamos reconhecer um líder, mas, infelizmente, parece-me que “o tal” ainda deverá estar para nascer.

 

4 Comments

  1. Henrique Costa says:

    Grandes verdades…

  2. Joana Pimenta says:

    Mas então, Sr. Luís Santarino… Se o Sr. escreve coisas como: "Na verdade, quem poderia fazer a síntese do pensamento da cidade e da região, defendendo a sua identidade, não se quer misturar com gente que faz da lama o seu habitat natural.".
    E ainda mais escreve: "Por isso, nesta cidade de invejas ou invejinhas – tipo “se tu fazes, o que eu tenho de fazer é desfazer” – vão galopando os sem mérito assinalável.", é porque admite que Coimbra apresenta graves defeitos.
    Lisboa não gostará nunca de uma Coimbra com mais defeitos exemplificados que virtudes, e Coimbra parece ter malapata crónica com Lisboa. Tornando-se Coimbra mais virtuosa, sem as falhas que lhe aponta no seu artigo, a ver se Lisboa não a tem em maior conta…! Façam a prova experimental. E se não…
    E que dizer de uma Lisboa, ou de outra topologia qualquer, que manifestamente exemplificasse mais defeitos que virtudes, pontuados, ainda para mais, pelos seus próprios autóctones?! Pois a mesmíssima coisa que se disse acerca de Coimbra!
    Grandes são as mentiras contadas acerca da verdade.

  3. Qual é o problema?

    • Joana Pimenta says:

      Ora, Sr. Gandarez… Não entendeu?!
      O problema é um de Verdade.
      Há teorias e discussões para muitos gostos acerca da Verdade. Mas o que poderá ser jeitoso nesta discussão em particular, é recordar a proposta de Charles Sanders Peirce, onde, entre muitas outras coisas propostas numa teoria pragmática de Verdade, é proposto que a Verdade é verificada e confirmada pelos resultados obtidos pela sujeição à prática, dos conceitos d'un mec ou d'une cocotte quaisquer.
      Agora… É preciso tomar também em consideração os também descritos falibilismo e "referência ao futuro”. Isto tudo a bem de um escorreito conceito de Verdade.
      Daí o repto lançado à tal prova experimental. 🙂

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