Opinião: O ritual do perú

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Isabel Maranha Cardoso

Todos os anos cerca de três dias antes do Natal inicio a tarefa dura a que chamo “o ritual do perú”. Felizmente o dito cujo chega-me já depenado a casa, mas tão avantajado de estatura que manuseá-lo torna-se sempre um exercício de pura musculação. Acaba por ficar mergulhado no tanque da roupa durante dois dias, numa marinada à base de grandes misturas de elevado teor alcoólico, que supostamente têm como fim “amaciar” a carne do dito. Passa o pobre bicho assim dois dias em verdadeiro coma alcoólico, que só termina no dia 25 quando depois de recheado é posto a assar no forno, a seguir trinchado e fatiado, outra tarefa demorada e de alguma perícia e finalmente servido, concluindo-se assim o ritual do perú.
Conto isto não só pela época natalícia mas porque na última semana, e não sei se se deve ou não à quadra, o Governo tem sido acometido de investidas que se assemelham a este tipo de ritual. Tal como o avantajado perú, também é sistematicamente sobre os ministros mais fortes e de inegável capacidade política que se abate um qualquer e hipotético escândalo, deixando-os numa marinada de suspeições e insinuações por forma a denegrir e fazer crer como são corruptíveis. Mário Centeno teve uma dose intensa em torno do dossier Caixa; Costa marinou na acusação de frieza e indiferença perante a tragédia dos incêndios; e agora tenta-se cozinhar em lume brando Vieira da Silva. Como se cozinha tanta intriga?! Não sei … afinal apenas preparo o perú de natal!

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