Opinião – Com os pés assentes na terra

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Ricardo Castanheira

É magnífico sermos, no mesmo ano, o melhor destino turístico europeu e mundial. Estamos imparáveis! Portugal está para o turismo como o Ronaldo para o futebol! Devemos celebrar, e muito! Estes prémios têm uma importância materializada em mais emprego e mais receitas, mas também em mais auto-estima, que no caso nacional não é desprezível.
Não estávamos habituados a isto. Não temos uma cultura do sucesso. Aliás, pelo contrário, desdenhamos habitualmente das conquistas alheias e a inveja é um mal nacional. Mas estamos a viver um momento único como país e devemos aprender a lidar com isso. Como registado pelo espanhol “El Pais”, a propósito da eleição do Ministro Centeno para o Eurogrupo, Portugal tem ganho tudo: da Eurovisão da Canção ao Campeonato da Europa de futebol, à eleição para Secretário-Geral das Nações Unidas. Tudo!
Porém o nosso jeito lusitano de celebrar conduz-nos tantas vezes para o esquecimento do que é essencial. Ficamo-nos pela superficialidade do foguetório. Este é, portanto, também o tempo certo para afinar a estratégia do que já está a dar certo e corrigir o tanto que ainda é possível melhorar.
Sermos o melhor destino turístico do mundo não é conciliável com a vaga de incêndios deste verão, por exemplo. Nem com as crescentes ineficiências da TAP e do Aeroporto de Lisboa. Nem com a criminalidade organizada na noite (que não é apenas a de Lisboa). Nem com os despejos discricionários nos centros históricos.
Sermos o melhor destino turístico do mundo só valerá a pena se o formos de modo contínuo, contrariando a própria sazonalidade intrínseca aos ciclos turísticos, e isso faz-se com mais educação e melhores escolas, com um serviço nacional de saúde mais robusto, com mais segurança pública. Não esquecendo quanto vale um simples sorriso!..
Em suma, atrair muitos, muitas vezes e por muito tempo deve ser o mote que nos convoca a todos: governo, municípios, empresas, academia e cidadãos.

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