Estudo defende manutenção de rede ensino superior com politécnicos e universidades

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Um estudo sobre o futuro do ensino superior em Portugal recomenda a manutenção do sistema binário de universidades e politécnicos, com fins distintos e carreiras docentes próprias.

Coordenado por Júlio Pedrosa, antigo ministro da Educação, o estudo da Fundação Calouste Gulbenkian “Educação Superior em Portugal, Uma nova perspetiva” será apresentado hoje em Lisboa.

O trabalho, explicou Júlio Pedrosa em declarações à Lusa, surgiu após a apresentação de um estudo da Associação das Universidades Europeias, encomendado pelo Conselho de Reitores, a que seguiu um outro do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos.

“Houve um entendimento de que as conclusões desses estudos fossem avaliadas, aferidas, vistas com sentido critico”, explicou.

Este desafio surgiu em 2014 e a equipa procurou saber que tipo de rede existe e como é avaliada pelos diferentes grupos, quem são os públicos que procuram educação superior em Portugal e como é que sistemas de países parecidos estão a evoluir, tendo sido escolhidos a Holanda, a Dinamarca, a Finlândia e a Irlanda.

As conclusões desta análise, realizada por Pedro Nuno Teixeira, Maria João Guardado Moreira e Artur Miguel Santoalha, aponta para uma estrutura de rede de educação superior assente num sistema binário, diferenciado, de instituições universitárias e politécnicas.

Consideram os autores que este sistema existente em Portugal proporciona a cobertura de todo o território nacional, contribuindo para o desenvolvimento das regiões em que estão inseridas.

Contudo, aconselham a uma clarificação da missão de cada um (universidades e politécnicos), defendendo que é do interesse geral manter a rede, mas com um sistema de financiamento claro e estatutos de carreira para o pessoal docente.

Uma das recomendações do estudo é rever os Estatutos das Carreiras Docentes de cada um dos subsistemas, de modo a que neles se reconheça de forma clara as distintas missões das instituições em que se enquadra o seu trabalho e a consequente diferenciação nos perfis e área de atuação dos docentes de instituições universitárias e de instituições politécnicas.

O estudo indica ainda que os perfis das ofertas formativas e a sua adequação às necessidades socioeconómicas dos territórios exigem ajustamentos para melhorar a capacidade de resposta à diversidade de contextos sociais, económicos e culturais do território nacional, justificando-se uma avaliação do leque de ofertas existentes.

Escrevem os autores que “a evidência recolhida nos casos de estudos internacionais, das audições aos grupos de interessados no país e da reconhecida diversidade cultural, social, económica e demográfica existente no território, sustenta que se preste também atenção à diferenciação na investigação desenvolvida nas instituições universitárias e nas instituições politécnicas e ao modo de financiamento”.

Este estudo, explicou Júlio Pedrosa, permitiu também verificar que quem termina a educação secundária profissional tende a não prosseguir estudos superiores e que apenas cerca de 20% o faz.

A investigação disponível mostra que quem deste grupo segue ensino superior procura o mais profissionalizante.

Nesta análise foi ainda avaliada a qualificação da população portuguesa nos vários grupos etários e verificou-se que a qualificação da população adulta é frágil.

O grupo de 25-34 ainda tem 40% com o máximo de 9.º ano de escolaridade, o que quer dizer que é preciso apostar na formação deste grupo, frisou

“Há uma recolha de toda a literatura científica desde a parte formativa até a investigação e internacionalização. Gostaríamos que se este estudo for para ser considerado era importante que o Conselho Coordenador do Ensino Superior e um grupo de missão a criar vissem como é que podemos aprofundar a rede de educação para responder às necessidades do país”, disse.

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