Opinião: A propósito d’A Relação Médico-Doente – Património do Ser Humano

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Catarina Matias

Decorreu recentemente o Congresso Nacional de Medicina da Ordem dos Médicos sob o tema “A Relação Médico-Doente: Património do Ser Humano”.

Esta Relação, presente constantemente na prática diária de um médico, envolve confiança e responsabilidade, com compromissos e deveres de ambas as partes, veiculados pela sinceridade e o respeito pelo outro.

Sem estas vertentes não existe Medicina, que não é apenas ciência – é também arte. Não há doenças, mas sim doentes. É urgente afirmar a relação Médico-Doente como um “bem social” que deve ser promovido e acarinhado.

É hoje evidente que fragilizar este “bem social” põe em causa a saúde dos doentes, é fatal para os profissionais, debilita a sociedade como um todo.

Numa época em que todos nós sofremos o efeito da ditadura dos números e dos indicadores, há que combater a perda de humanização que esta ditadura provoca. Nem um doente é apenas um número nem o seu médico um empregado contratual.

Torna-se importante salientar a necessidade de cumprir expectativas de ambas as partes envolvidas: por um lado, o doente, que procura a atenção, o cuidado, o tratamento, o conselho, a esperança; por outro lado, temos o profissional, que procura corresponder às necessidades de quem o procura, mas também precisa de sensação de realização e dever cumprido ao longo do dia.

Um doente que não confia no médico não fornecerá informações completas sobre o seu estado de saúde; um doente ansioso não compreenderá com clareza as informações que lhe são transmitidas. Assim, a relação médico-doente é a principal influência na satisfação do profissional e do doente, contribuindo também para prevenir o burnout e a rotação excessiva de profissionais num determinado local.

Esta área é portanto marcada por equilíbrio dinâmico, sempre em transformação.

Longe vão os tempos da abordagem paternalista do doente. Na ERA da comunicação os doentes têm as ferramentas necessárias para serem utilizadores mais conhecedores do sistema de saúde. Por seu lado, os médicos devem encorajar essa busca, fornecer fontes de informação fidedigna e investir na capacitação dos doentes, transformando a relação médico-paciente num esforço de equipa unida.

Ambas as partes precisam de investir no conhecimento e no desenvolvimento da capacidade de comunicação.

De acordo com estas reflexões, ficamos conscientes da enorme complexidade desta temática e da multiplicidade de desafios que ela nos apresenta.

Assim, torna-se indispensável, trazer à consciência colectiva todas estas considerações.

Por essa razão, a Ordem dos Médicos apoia o processo de candidatura da Relação Médico-Doente a Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

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