Opinião: Menino do Huambo

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Teotónio Cavaco

 

“Os meninos à volta da fogueira / Vão aprender coisas de sonho e de verdade / Vão aprender como se ganha uma bandeira / Vão saber o que custou a liberdade”, poema de Manuel Rui Monteiro (autor da letra do hino nacional de Angola) musicado por Rui Mingas, outro homem das artes angolano, mas popularizado nos anos 80 em Portugal por Paulo de Carvalho, procurava anunciar uma Angola livre, justa, solidária, com oportunidades para todos e onde as crianças teriam, finalmente, tudo o que mereciam.

Implicitamente, no mesmo texto condenava-se o colonialismo e o neocolonialismo, os colonialistas (neo ou não), opressores, fascistas e supressores das liberdades e do progresso.

No infeliz processo de descolonização da terra para onde fui muito novo, onde aprendi a ler, a andar de bicicleta e a gostar de pirão e de muamba, quem sofreu e ainda sofre, antes e depois de 1975, nunca foi verdadeiramente chamado a decidir – ou porque tal não era possível antes de 1974, ou porque, quando já o era, talvez não conviesse aos que quiseram, apressada e desastrosamente, entregá-la a quem a governou depois durante mais anos do que Salazar, sempre em nome do povo, 70% dele condenado a viver, hoje, com menos de 2 dólares por dia, enquanto a até agora família presidencial acumulava uma imensa fortuna, que inclui participações em estratégicas empresas no país e no estrangeiro, também em Portugal.

Os recentes desenvolvimentos em Angola são de desfecho incerto, mas parecem indiciar mudanças – espero que não, apenas, de oligarcas…

 

One Comment

  1. Carlos Pereira says:

    Os Meninos de Huambo

    Com fios feitos de lágrimas passadas
    Os meninos de Huambo fazem alegria
    Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
    E no céu descobrem estrelas de magia

    Com os lábios de dizer nova poesia
    Soletram as estrelas como letras
    E vão juntando no céu como pedrinhas
    Estrelas letras para fazer novas palavras

    Os meninos à volta da fogueira
    Vão aprender coisas de sonho e de verdade
    Vão aprender como se ganha uma bandeira
    Vão saber o que custou a liberdade

    Com os sorrisos mais lindos do planalto
    Fazem continhas engraçadas de somar
    Somam beijos com flores e com suor
    E subtraem manhã cedo por luar

    Dividem a chuva miudinha pelo milho
    Multiplicam o vento pelo mar
    Soltam ao céu as estrelas já escritas
    Constelações que brilham sempre sem parar

    Os meninos à volta da fogueira
    Vão aprender coisas de sonho e de verdade
    Vão aprender como se ganha uma bandeira
    Vão saber o que custou a liberdade

    Palavras sempre novas, sempre novas
    Palavras deste tempo sempre novo
    Porque os meninos inventaram coisas novas
    E até já dizem que as estrelas são do povo

    Assim contentes à voltinha da fogueira
    Juntam palavras deste tempo sempre novo
    Porque os meninos inventaram coisas novas
    E até já dizem que as estrelas são do povo

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