Opinião: Governar a pedido

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João Armando Gonçalves

 

Saber governar com as pessoas é hoje uma competência indispensável de quem tem a responsabilidade de conduzir os destinos de um coletivo seja ele uma organização, uma autarquia ou um país. É que os problemas e desafios que esses coletivos enfrentam são hoje de tal forma complexos e multidisciplinares que é da mais basilar sensatez que se saiba tirar partido da inteligência e sabedoria coletivas para os enfrentar. Não é pois surpreendente que os modernos debates sobre a governança ou os esforços na construção de comunidades sustentáveis passem invariavelmente pelo tema do envolvimento dos cidadãos.

Mas saber envolver os cidadãos, de forma genuína, tem a sua arte. Porque se é verdade que é mau ter ocasiões de participação fictícias, que apenas servem para legitimar a decisão já tomada pelos que nos governam, também não é aceitável que estes se demitam das suas responsabilidades com a desculpa de que “foi o que as pessoas pediram”.

Àqueles que governam são exigidas ideias, convicções, causas, prioridades. Claras. É esse o seu contributo para um diálogo que se deve abrir, de forma estruturada e efetiva, com os seus concidadãos. Isto é diferente de “ir governando” ao sabor dos pedidos, resolvendo os “casos” que vão aparecendo, ou deixando-se impressionar por aqueles que “gritam mais alto” ou ameaçam mais. Surpreendente (ou não) é a frequência com que isso acontece à nossa volta.

One Comment

  1. André Mendes says:

    Bom dia,
    Sou pai de um miúdo com 7 anos que gostava de frequentar os escuteiros, mas o meu filho diz que é ateu e que não tem interesse por actividades de cariz religioso apesar de quer eu quer a mãe sermos católicos praticantes e respeitarmos os preceitos da ICAR.
    O meu filho fez apenas a primeira comunhão e antes da idade regulamentar por causa da data do seu aniversário mas necessitou de autorização especial porque era muito novinho. É um miúdo muito precoce e responsável, e começou a questionar muito cedo muitos dos ensinamentos dos pais, dos professores na escola e também na paróquia onde frequentava a catequese. Apesar de ficarmos satisfeitos por termos um filho com sentido crítico, isso também lhe tem trazido muitos problemas como a segregação pelos pares e o consequente isolamento. Os outros miúdos simplesmente não partilham dos mesmos interesses e é com pessoas mais velhas que gosta de conversar. Apesar de tudo, é também um miúdo que além de ser bastante autónomo é um bom desportista. Como o senhor esteve na presidência internacional do movimento dos escuteiros, poderia dizer se uma criança com estas características seria bem acolhido na Junta Regional de Coimbra do Corpo Nacional de Escutas?
    Agradeço-lhe a atenção que puder dedicar a este pedido de esclarecimento.
    André Mendes

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