Opinião: A propósito de panteões

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António Augusto Menano

 

Em 1988, tinha chegado a Macau há quatro meses quando fui, numa excursão, organizada por uma agência de viagens chinesa, passar o ano a Manila. Do grupo faziam parte, além dos meus dois filhos e da minha mulher, alguns portugueses, na sua maioria professores, que trabalhavam em Macau. Ocorreram peripécias várias, que ficarão para depois. Agora, desejo recordar a visita ao cemitério chinês da capital das Filipinas, que constava do programa.

O cemitério estava dividido em duas zonas, uma para ricos, outra para pobres. Na dos ricos, encontrámos construções de variados tamanhos e feitios, todas elas com sala, com televisão e mesa para as refeições. Perante o nosso espanto, o guia, admirado, perguntou se, em Portugal não estávamos com os mortos em reunião da qual constavam refeições celebrativas.

O incidente da festa dos “nerds” e potentados sem fios no Panteão Nacional, as palavras do guru irlandês, acompanhadas de um educado pedido de desculpas, o barulho pacóvio, politicamente “contaminado” sobre um incidente que lamento, fez-me recordar que Harry Porter já por lá tinha andado, que os cenotáfios estão vazios e apenas honram memórias e que junto ao Arco do Triunfo já houve um cenotáfio, ao lado do qual se festejou.

Não gostei, mas será que Sophia de Mello não faria um poema a propósito, e Amália cantaria um fado? Vamos preocupar-nos com a educação, a saúde, e tentar atribuir mais do que um por cento para a cultura.

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