Bióloga defende que reflorestação não pode ignorar invasoras

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As acácias já começam a germinar nas zonas ardidas pelos incêndios de 15 e 16 de outubro, notou uma bióloga de Coimbra, que alerta que o controlo das espécies invasoras não pode ser ignorado no processo de reflorestação.

Nas zonas litorais, como o Pinhal de Leiria, Quiaios (Figueira da Foz) e Tocha (Cantanhede), já se começam a observar várias acácias a germinar, um mês após os incêndios, e o mesmo acontece no interior da região Centro, onde as acácias mimosa e austrália são predominantes, contou à agência Lusa a especialista da Universidade de Coimbra em espécies invasoras Elizabete Marchante, prevendo que a situação da invasão destas plantas se agrave após os grandes fogos de outubro.

Para a investigadora, tanto as acácias como as háqueas têm a possibilidade de aumentar a sua presença na região, por serem “pirófitas” – plantas adaptadas ao fogo e que beneficiam do mesmo.

“Cada planta pode chegar a ter 20 mil sementes por metro quadrado e são viáveis nos solos durante muitos anos. Quando passa o fogo, as sementes podem ser estimuladas e facilita a germinação das sementes” em áreas que já estavam invadidas por estas espécies, sublinhou Elizabete Marchante.

Sendo assim, se nada for feito, “as áreas que tinham acácias antes vão ter em maior número”, explicou.

“É preciso ajudar essas áreas a não serem ultrapassadas pelas invasoras. Não acho que se podem fazer planos só para o controlo das invasoras, mas os planos de reflorestação devem ter em conta e não ignorarem as invasoras”, alertou Elizabete Marchante.

No entanto, a especialista acha que para já não se deve “fazer nada”, até pelos cuidados que tem de haver neste momento com a erosão dos solos – “seria mais prejudicial do que benéfico”.

Para além disso, “não vale a pena arrancar acácias com dois centímetros”.

“É preciso esperar algum tempo para as que não vinguem morrerem. Quando tiverem 10 a 15 centímetros, podem-se cortar com motorroçadora, que não rebentam. Nas zonas de costa, com areia, pode-se recorrer a voluntários para as arrancar”, recomendou.

É nessa altura – quando as plantas ainda não têm reservas de sementes – que se tem de aproveitar para controlar as invasoras, frisou.

Segundo Elizabete Marchante, caso se desaproveite a janela de oportunidade, as acácias “vão crescer mais rápido e em maior número”, inviabilizando o crescimento das outras espécies.

Apesar disso, “não há recursos para controlar todas as invasoras” e a investigadora defende que têm de ser definidas “zonas prioritárias para agir, antes de se tornar difícil de controlar as acácias”.

“Há que atuar enquanto têm uma dimensão reduzida”, defendeu a especialista da Universidade de Coimbra.

A equipa do invasoras.pt, que Elizabete Marchante coordena, disponibilizou um formulário no seu ‘site’, para que os cidadãos interessados ajudem a reportar zonas queimadas que tinham plantas invasoras ou onde estas voltaram a germinar (o formulário pode ser consultado em https://tinyurl.com/yc7esa7p).

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