Bienal Anozero’17 “devolve” a Coimbra o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

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Nascida para ser, também, um “ativador de espaços patrimoniais”, a Anozero’17 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, volta a concretizar-se exatamente desta forma naquela que é a sua segunda edição e teve este sábado início em sete diferentes espaços da cidade. A partir do tema “Curar e Reparar”, uma única exposição composta por obras de 35 artistas reparte-se em “capítulos” pelo CAPC Sereia, CAPC Sede, Colégio das Artes, Museu da Ciência, Sala da Cidade, Convento São Francisco e Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, espaço que a Anozero “devolve” à cidade e à admiração de todos.

Com curadoria de Delfim Sardo e Luiza Teixeira de Freitas, “Curar e Reparar” – tema central desta segunda edição da bienal Anozero – “tenta pensar nas questões que se dirigem à máquina avariada do mundo, à fragilidade do corpo, à incerteza da economia, à necessidade de permanente compensação”.

Com a inauguração da bienal – que se prolonga até 30 de dezembro – marcada para as 14H30 deste sábado, numa cerimónia agendada para a Sala da Cidade, irá seguir-se um percurso de visita aos diversos espaços, na companhia de Delfim Sardo e Luiza Teixeira de Freitas. Pelas 20H00, na antiga igreja do Convento São Francisco, lugar a “ILINX”, uma performance de Jonathan Uliel Saldanha. A partir das 23H00, agora no magnífico espaço do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, irá decorrer uma festa do Verão de São Martinho.

Na sexta-feira, ainda em plena azáfama dos últimos pormenores da montagem de uma exposição disposta em sete capítulos ou estações, Carlos Antunes, diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), entidade que coorganizada a bienal com a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, desvendou o “segredo” do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. “Este é um espaço da cidade, que se vê de todo o lado, mas que as pessoas verdadeiramente não conhecem. E que importa que conheçam”.

Desocupado pelo Exército Português desde 2006, “este espaço é, talvez, uma das mais extraordinárias joias escondidas da arquitetura religiosa portuguesa. É um espaço barroco, com uma qualidade arquitetónica extraordinária e uma escala magnífica”, disse o responsável, que deixou uma “porta aberta” para o futuro próximo do espaço: “A bienal pode e deve trazer um debate sobre este edifício, sobre o que é necessário fazer para que ele possa reativar-se. Não pode haver um olhar para este edifício depois da bienal igual ao que havia antes”, sublinhou.

Mesmo porque, para Carlos Antunes, “a bienal é uma espécie de interruptor que diz que este edifício tem um enorme potencial de utilização pública e é preciso fazer uma discussão sobre isso. É preciso que a cidade debata a sua utilização. E esse é o nosso statment. Mais do ocupá-lo durante dois meses, porque, sobretudo, não gostávamos que a nossa passagem fosse circunstancial”. Ainda assim, como “o tempo dos milhões para recuperar edifícios acabou”, para o arquiteto, importante é que “a bienal está a demonstrar com a pequena intervenção que fez, que é possível utilizar o edifício. É apenas necessário um plano de recuperação progressivo, já que esta é a única forma de recuperar, de tornar habitável um edifício com esta escala”.

Delfim Sardo, curador da bienal, instado a comentar o espaço de Santa Clara-a-Nova e, por maioria de razão, a impressiva obra assinada por Julião Sarmento, não hesitou: “A instalação de Julião Sarmento não é apenas uma peça central na bienal, é uma peça que tem de se atravessar para chegar ao resto da exposição: quando se entra no mosteiro, para aceder ao primeiro andar, é necessário atravessar o corredor com a instalação, um dado fundamental, porque se trata de uma grande experiência e uma peça extraordinária, que nós estamos muito orgulhosos em poder apresentar, numa experiência claramente física, física e emocional”.

E que, pergunta-se, tem tudo a ver com o tema central da bienal, como, de resto, tem este mesmo edifício? “Este edifício foi uma espécie de achado extraordinário”, disse, destacando o facto de se tratar também de um dos polos centrais da bienal, que tem outros numa única exposição: “começa no CAPC Sereia e Sede, vai ao Museu da Ciência e ao Colégio das Artes da UC, desce para a Sala da Cidade, segue pelo Convento de São Francisco e termina no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, numa experiência proposta como num livro, em capítulos”.

Sempre em volta do tema “curar e reparar, mas nunca de uma forma ilustrativa, com a certeza de que a arte não é para ilustrar, é para propor experiências”. A partir de agora, convocar a cidade e o país? Delfim Sardo diz esperar isso mesmo, “que haja o interesse das pessoas em vir visitar a exposição, porque é para as pessoas que nós a fazemos”.

Espaços Anozero’17:

Mosteiro de Santa | Clara-a-Nova | Calçada de Santa Isabel, Alto de Santa Clara

Convento São Francisco | Avenida da Guarda Inglesa

Sala da Cidade | Antigo Refeitório de Santa Cruz, Paços do Município, Praça 8 de Maio

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra | Largo D. Dinis

Museu da Ciência – Galeria de História Natural | Largo Marquês de Pombal

Círculo de Artes Plásticas de Coimbra – CAPC Sereia | Rua Pedro Monteiro

Círculo de Artes Plásticas de Coimbra – CAPC Sede | Rua Castro Matoso

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