Opinião: O país das fábulas

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António Augusto Menano

 

 

Fui passear na serra da Boa Viagem. Uma amiga minha tinha-me informado andarem a aparecer animais estranhos na serra que, na minha adolescência e juventude, tanto calcorreei. Não tinha muita esperança. Afinal, quando procuramos, nem sempre encontramos. Mas tive sorte, encontrei um veado que se escondeu e fugiu rápido, quando me viu. Para os lados da Bandeira, vi, ou pensei ter visto, um javali.

Felizmente, para os dois passantes, não havia por lá caçadores. Desci até à fonte de Santa Marinha, onde quase não corria água, e eis que avistei um esquilo, meio escondido atrás de uma árvore. Comecei a ver-me num conto de Perrault. Afinal escreveu “Contos da Carochinha”. Conhecemos as suas fábulas “Gato das botas”, “País de burros”, A gata borralheira”. Com tanta confusão, até poderia ter encontrado um unicórnio branco, com um lenço ao pescoço, ou seria enrolado na testa?

O que me valeu foi passar por mim um cão desses vulgares, estilo vira-latas, que me disse: “Não te perturbes. Vem aí uma reunião onde vamos escolher o novo rei”. Recordei novamente o poeta francês e o seu poema “O século de Luís, O grande”, e de “Paralelo entre antigos e modernos”, no qual dava preferência aos modernos. E como seria, pensei, qual a escolha da bicharada da serra?

 

 

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