20 mil hectares de baldios arderam no distrito de Coimbra

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Foto: Pedro Agostinho Cruz (Arquivo)

A Cobalco – Associação Cooperação Entre Baldios do Distrito de Coimbra assegurou hoje que arderam mais de 20.000 hectares de áreas baldias neste distrito na sequência dos incêndios de 15 de outubro.

Em comunicado, aquela associação diz que os municípios mais atingidos foram Arganil, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Vila Nova de Poiares.

“No concelho de Pampilhosa da Serra a área baldia ardeu toda, totalizando cerca de sete mil hectares ardidos em nove baldios”, refere a nota.

A associação afirma que, “atendendo a que muitos dos baldios ardidos não têm capacidade financeira para a reflorestação e recuperação”, o Governo tem de “tomar medidas imediatas de apoio financeiro a fundo perdido para investimento” na recuperação de toda a “área comunitária ardida”.

“Em baldios sem receitas significativas, o apoio financeiro tem que ser a 100%, nomeadamente para reflorestação em espécies autóctones”, defende.

A Cobalco diz ainda ser urgente que “o Governo intervenha no sentido do escoamento a preços justos das madeiras ‘salvadas’ dos incêndios florestais”.

“A extensão e a violência dos incêndios florestais originam que milhões de toneladas de madeira fiquem desvalorizados ao ponto de pouco ou nada renderem. São áreas baldias e milhares de produtores florestais que ficam sem (quase) nada”, é ainda referido.

Para esta associação, “deve ser criado um Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural com medidas concretas” que respondam às “necessidades da agricultura familiar e da floresta, nomeadamente das áreas comunitárias de baldios”.

“A fim de apresentar estas e outras reclamações, a Cobalco irá pedir com caráter de urgência uma reunião à Direção Regional de Agricultura do Centro, para além da sua apresentação como Associação de Baldios do Distrito de Coimbra”.

A direção da associação aprovou ainda na última reunião a sua filiação na Baladi – Federação Nacional de Baldios, e a sua colaboração na Conferência Europeia de Áreas Comunitárias, a realizar em Coimbra, em 2018, promovida por aquela federação nacional.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

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