Opinião: Já se pode perguntar?

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Paulo Almeida

Agora que a Standard & Poor’s nos tirou do lixo, já podemos começar a obter algumas respostas que não passem por andar a discutir a mudança de sexo de jovens com 16 anos de idade?

A efectiva baixa do IRS existe ou é uma farsa? Os salários dos profissionais pagos com os nossos impostos são para aumentar ou não? E vai-se aumentar a taxação do alojamento local ao mesmo tempo que se impõe um tecto máximo ao valor da renda, inferior ao preço de mercado?

Vamos mesmo tratar os proprietários que ousam cobrar rendas ou destinam o seu prédio a uma utilização de mercado alternativa da mesma forma que podemos vir a julgar os pais processados pelos filhos menores que querem mudar de sexo, ou seja, como uns “malvados”?

Quem coloca questões não pode ser tratado como um bandido que quer travar a caminhada revolucionária, utópica e de esquerda. Amordaçar não faz parte de nenhum caminho democrático. Bem sei que hoje não se cala pela força (ainda), mas pela vergonha ou humilhações públicas. Foi uma recomendação sobre livros aqui, o respeito pelo luto acolá.

Entretanto, se calhar nem houve assalto em Tancos e com certeza que a investigação em torno do exame nacional de português do 12.º ano há-de estar em segredo de justiça e ninguém pode falar sobre isso. E assim vamos ficando sem respostas ou explicações porque as notícias sucedem-se, o ano lectivo começou e agora não se vai colocar em causa o acesso ao ensino superior, e a memória é curta.

Tanto, que o próprio primeiro-ministro cava o fosso e apaga o esforço de quem recebeu Portugal sujeito à troika e o entregou com uma saída limpa.

Não lhe ficou mesmo nada bem, mas a avaliar pelas sondagens que gerem a actuação, corre tudo às mil maravilhas e não interessa rigorosamente nada que com o governo de Passos se tenham conseguido taxas de juro abaixo dos 2% ( 1,7% em Janeiro de 2015 ) e hoje ainda rondem os 3%.

Conforme noticiou o DN na edição online de 15 de Setembro, os juros da dívida soberana portuguesa a dez anos fecharam em queda ligeira para 2,8%. No final do dia, é isto que conta em economias com recursos finitos como a nossa. Feito o apuramento, e apesar da saída de “lixo”, a nossa dívida pública ainda só aumentou com a geringonça.

Bem sei que há promessas de vir a baixar, mas quando a aventura grega aquecia os corações da esquerda, era ouvi-los ofendidos por haver folga e cofres cheios. Entretanto, tudo parece ter sido gasto e muito mais há onde gastar (para gastar alguns não conhecem limites).

Por exemplo, já em Abril deste ano, o jornal Público noticiava que a dívida dos hospitais à indústria farmacêutica aumentava ao ritmo médio superior a um milhão de euros por dia. E há dias o presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, veio defender que deveria existir para o SNS um programa semelhante ao PAEL das autarquias para ajudar a pagar uma dívida que já ascende a mais de 1,3 mil milhões de euros.

A pergunta fica: existe vontade de pagar a tempo e horas ou as dívidas existem para aumentar? Com as autarquias foi exigido um compromisso de no futuro não se criar nova dívida. Depois de nos anos da troika se ter diminuído custos e dívida nos hospitais, com a geringonça logo regressaram os tempos do aumento das dívidas (e cativações). Pode-se perguntar se há algum limite ou se vamos aguardar pelo rating da Fitch e da Moody’s?

2 Comments

  1. Miguel Costa says:

    Ai que susto, pensei que ía perguntar quem era o verdadeiro dono da sede dos Arcos da AAC, e não o testa de ferro, e porque motivo ela foi vendida por uma proposta inferior a outras.

  2. Miguel Costa says:

    Ao Diário das Beiras ficava bem não censurarem comentários não ofensivos, ainda que incómodos.

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