Opinião: Autárquicas. Quando os candidatos entram em campanha

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Hélder Rodrigues

1. Quando os candidatos entram em campanha

Quando os candidatos entram em campanha, o povo fica logo de “pé atrás” e “de olho neles”. É que, meus amigos, o português é pacifico por natureza. Um bom discurso e uma palmada nas costas bem dada e até acredita no “Pai Natal” se preciso for! Mas têm sido muitos anos “a virar frangos” de promessas não cumpridas e ilusões desfeitas, e de repente, passadas as eleições, vê-se metido no assador e o frango é ele!

Como o nosso prestigiado amigo e ilustre cidadão António Arnaut diz, num excelente livro: “A alma portuguesa é por natureza, magoada e triste. Sempre que lhe prometeram uma nova aurora, deram-lhe mais do mesmo inverno e frustraram-lhe as expectativas”.

2. O desafio da credibilidade

Deste modo, o candidato tem logo um primeiro desafio pela frente, o da “credibilidade”. E ganhar credibilidade é uma coisa séria, numa sociedade desconfiada que parte, desde o início, à defesa: “O que é que este gajo pretende?”. E onde anteriormente se viam grandes virtudes, passam a ver-se desconfianças por todo o lado!

– Se o autarca é muito simpático, logo é acusado de “ser só simpatia e fazer pouco”. Se, pelo contrário, é pouco simpático, é acusado de “ter mau feitio e difícil de aturar”

– Se apregoa que vai decidir tudo através de consensos, logo reclamam que vai demorar muito tempo a fazer alguma coisa de jeito e nada de extraordinário. Se diz que vai para a frente nem que seja sozinho, logo o apelidam de ser “perigosamente individualista e antidemocrático”

– Se é de relação fácil e alegre é acusado de “andar a caçar votos”. Se é reservado e de poucas falas de “o poder lhe ter subido à cabeça e ter a mania que é importante”

– Se promete “ O Carmo e a Trindade” (o Metro a percorrer a cidade a 100 à hora ou o aeroporto à porta de casa para irmos comprar caramelos a Badajoz) dizem que é um utópico, um visionário. Se pelo contrário fala em coisas mais simples (limpar as paredes, pintar as casas, lavar as ruas) que é um simplório sem ideias, nem imaginação ou horizontes

– Se tem motorista é acusado de ser de extrema direita. Se guia ele próprio, ou anda a pé, que é da esquerda radical!

3. O que é ser um candidato credível

Por isso, o autarca, se não tem uma forte personalidade, e não põe os “interesses da cidade” acima dos “interesses da clique” que o rodeia, quando está em cima, clique essa que se evapora quando está em baixo, tem uma vida difícil e anda sempre no “fio da navalha”.

Deixa de “ser aquilo que a cidade necessita” para passar a ser “aquilo que os outros, que o lá puseram, querem que ele seja”. Passa, para seu mal, a ser um pau mandado, e está tramado! É “passado a fogo lento” pelos jornais de manhã e “assado no espeto”pelas Televisões à noite!

Um candidato credível deve ter um passado de seriedade e de cumprimento sem mácula através do exercício duma carreira profissional que lhe deu experiência de vida. Não poderá prometer mais do que aquilo que terá capacidade de fazer, de ser coerente na defesa dos interesses da cidade quer esteja no poder quer na oposição. Então a população, que apesar de pacífica não é “burra” admirá-lo-á, confiará nele, tê-lo-á no coração, reconhecerá a sua capacidade e dar-lhe-à a sua confiança.

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