Opinião: Câmara e periferia

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Norberto Canha

O contacto com a periferia, isto é, com as suas freguesias e aldeias, deve ser permanente e não devem apenas ser visitadas (e fugazmente) pelo Presidente da Câmara e vereadores na proximidade das eleições. Não sei se já se aperceberam de que na periferia, tirando as fábricas (que estão altamente deterioradas), quase todas as habitações estão esmeradamente cuidadas.
Apraz-me citar um ditado de uma aldeia beirã de que só recentemente tive conhecimento, que é “Não compres a quem comprou, compra a quem herdou, que não sabe o que custou”.
Disto resulta que os impostos são tão altos no caso das heranças, que o Estado leva logo 28%, e aquilo que fora construído com tanto esforço pelos pais, se não deixarem dinheiro para pagarem os impostos, os seus descendentes estarão na eminência de perder esse abrigo.
Alguns quintais ainda têm uma horta. Se por lá passamos, têm um sorriso e esse sorriso associam à empatia.
A periferia, no espaço de seis meses, pode produzir alimento, desde que tenha escoamento, não só próprio como para ajudar a cidade. Basta que tenha água. Pode até dispôr de animais como porcos, cabras, ovelhas e vacas, que possam fornecer alimento à cidade em leite, carne e, em aquacultura, até peixe.
Quero referir que acabaram com algumas feiras e até com os mercados nas vilas e aldeias. Disto resultou que o escoamento dos produtos ficou viciado e, assim, um produto como a batata, por exemplo, é pago ao produtor a 15 cêntimos e vendida nos supermercados por 75 cêntimos.
Peço desculpa aos legisladores comunitários, mas acabar com as feiras levou a que se tenha criado o esgotamento da produção própria – no que diz respeito à produção agrícola – para se viver à custa do importado, sobrecarregado de impostos, quando no exterior, por exemplo em Espanha, um quilo de azeitonas tinha 11 escudos de subsídio e uma colmeia 10 contos. Cá, zero!
Se houver mercados para produtos agrícolas e complexos agroindustriais como o do Nordeste Transmontano ou Cachão, em menos de um ano, poderemos ser auto-suficientes e até exportadores de produtos agrícolas próprios.
Senhores legisladores e deputados da União Europeia, tudo é global, mas tudo é específico. Há sempre uma solução, mas específica para cada ponto do globo.
Vou exemplificar com um facto da cidade da Baía, Brasil. Um governador, para homenagear o seu filho, que fora político de relevo, fez uma avenida com um grande monumento à sua memória.
Nessa avenida, construiu um mercado popular em que os produtos eram 40% mais baratos do que nos mercados subordinados ao capital. As senhoras mandavam lá os seus empregados (às vezes em Mercedes) a fazer as compras (provavelmente para não se misturarem com o povo).
Há sempre soluções para tudo desde que se pensem, ponderem e sejam postas em execução.

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