Opinião – Simplicidade, charme, verdade e talento

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António Augusto Menano

Quando Salvador Sobral, numa entrevista para a Eurovisão, se referiu à questão dos refugiados, revelou-se logo na sua inteireza de homem livre. Depois, no dia 13, data em que a língua portuguesa entrou em milhões de ouvidos por toda a Europa, venceu. Para nós, um povo da periferia, uma nação pouco habituada a grandes vitórias, passados os Descobrimentos, as vitórias no hóquei em patins, estávamos, pensavam muitos, no local errado.
Não foi preciso cantar na língua de Shakespeare, no idioma do comércio e do mundo global. A música, a linguagem mais universal, a sensibilidade, corpos de uma balada “Amar pelos dois”, entraram no coração de todos. Um duplo 11 leu-se, referência ao número da canção e ao número de jogadores de futebol vencedores da taça da Europa.
Os netos paternos do quarto conde de Sobral, ele e a irmã Luísa, autora da letra e da música da canção, vencedores prévios das melhores composição e interpretação. Sobral surgiu despojado de efeitos sonoros, malabarismos circenses, foi o nosso mensageiro de amor, de paz e de fraternidade. Precisamos de mais Salvadores, com voz de anjo e os pés no calor da verdade.

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