Vereador do movimento Cidadãos por Coimbra renuncia ao mandato

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FOTO DB/CARLOS JORGE MONTEIRO

José Augusto Ferreira da Silva, eleito vereador pelo movimento cívico Cidadãos por Coimbra (CpC) acaba de anunciar a sua renúncia ao mandato autárquico.

Em comunicação formal, lida no período de antes da ordem do dia da reunião do executivo municipal, o advogado, que foi cabeça de lista do CpC em 2013, invocou como razão principal da sua decisão a perda de independência face a partidos políticos, por parte do movimento.

 

“Recentes alterações na política do CpC puseram em causa, de forma irremediável” a “característica genética de independência que para mim é inalienável” e pôs em causa “a minha relação com esse movimento” e a relação do “próprio CpC com os seus eleitores”, afirmou o vereador na declaração que fez à Câmara, anunciando a renúncia ao mandato.

“Para mim, a política só pode ser feita com verdade e transparência. E a verdade impõe-me que, tendo-se rompido essa relação recíproca, renuncie ao mandato”, argumentou Ferreira da Silva.

“Em meu entender, o mandato resultava de uma dupla legitimidade: o voto popular, por um lado; a escolha efetuada pelo grupo de cidadãos para encabeçar a lista candidata, por outro”, sustentou o até agora representante do CpC na Câmara de Coimbra, sublinhando que esse grupo de cidadãos se apresentou aos eleitores como “movimento independente, apesar de ter no seu seio membros de diversos partidos”.

Essa “característica genética de independência face aos partidos”, sempre a “procurei salvaguardar”, assegurou Ferreira da Silva, referindo que “em circunstâncias diversas, fora e dentro desta Câmara”, protestou de forma “veemente sempre que essa independência foi questionada”.

Sem fazer um balanço à sua atividade enquanto vereador, que seria “absolutamente despropositado”, José Augusto Ferreira da Silva disse que procurou sempre “estudar os dossiers, ouvir os munícipes sobre os seus problemas e anseios, debater com frontalidade e agir com determinação e lealdade com vista a contribuir para um município melhor”.

Sobre a atividade da Câmara e da maioria que a governa, “o que tinha a dizer ficou dito, com convicção, frontalidade e lealdade, sempre norteado pelo que considero serem os princípios de uma boa governação”, afirmou Ferreira da Silva.

Referindo-se à decisão do eleito pelo CpC, o anterior presidente da Câmara e atual líder da bancada da coligação PSD/PPM/MPT, o social-democrata João Paulo Barbosa de Melo enalteceu “a capacidade de trabalho e a seriedade” de Ferreira da Silva.

Embora “nem sempre de acordo com ele”, a bancada PSD/PPM/MPT “deixa uma palavra de reconhecimento, muito apreço e respeito pelo trabalho que [Ferreira da Silva] aqui desenvolveu”, afirmou Barbosa de Melo.

O modo “coerente” como o eleito pelo CpC sempre debateu as ideias para Coimbra foram igualmente enaltecidas pelo vereador Jorge Alves, perspetiva partilhada pelo também socialista Carlos Cidade, que considerou Ferreira da Silva “um homem solidário” e a quem agradeceu “o contributo que deu, à sua maneira, à cidade”.

O executivo municipal de Coimbra é formado por cinco eleitos pelo PS, quatro pela coligação PSD/PPM/MPT, um pela CDU e um pelo CpC.

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