Opinião – Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate

Posted by

Paulo Simões Lopes

Não simpatizo com extremistas e desconsidero os Torquemadas, na mesma proporção com que desvalorizo os que apregoam a boa bondade de Pol Pot, mas como sou pela cidadania e pela liberdade de opinião e de expressão, todos devem poder expressar-se, até os radicais que se escondem do seu Estalinismo ou do seu Nacionalismo, mesmo os que veneram os seus ditadores e que odeiam os restantes.
A propósito da diversidade de ideias, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a pedido da sua Associação de Estudantes, cancelou a conferência que deu o título a este texto. Fê-lo, suportada por uma moção aprovada por 0,5% dos seus alunos, com o argumento de que o “evento está associado a argumentos colonialistas, racistas e xenófobos”, prontamente contrariado pelo promotor da conferência, que se demarca do radicalismo e que “execra toda a forma de colonialismo”. Haverá outra(s) versão(ões) para esta estória, possivelmente, mas, de uma forma ou de outra, e pelos termos acima empregados, é sempre um mau momento na história da nossa democracia.
Francisco Seixas da Costa, membro do Conselho da Faculdade, lastimou “que a direção da escola tenha sido forçada, contra a sua vontade, a tomar esta atitude, para salvaguarda da estabilidade funcional da instituição. E porque convém chamar os bois pelos nomes, que fique claro que esta inadmissível atitude censória, foi tomada por uma estrutura de estudantes identificada com o Bloco de Esquerda.”
A Associação 25 de Abril, presidida por um dos mais conhecidos Capitães de Abril, decidiu “manifestar ao Prof. Nogueira Pinto o repúdio [pelo] silenciamento da sua opinião” e disponibilizou “as suas instalações para a realização da conferência”. Manuel Alegre, considerou que a decisão “é um ato contra a liberdade de expressão e contra os valores fundamentais da democracia”. Da meia dúzia de provas de solidariedade para com o politólogo, lamento não ouvir os que habitualmente se insurgem a favor das “minorias”. Sentiu-se a ausência da voz de Mário Soares através dos que, afinal, já não honram a sua memória, sobretudo a da sua oposição ao “Processo Revolucionário Em Curso”.
Eventualmente, receio também que o tema da liberdade de expressão na universidade não seja consensual. Há os que entendem que as oportunidades de aprendizagem devem ser confrontadas com visões e paradigmas diferentes e os que entendem que este deve ser um “espaço seguro” sem “centros de detonação”. A minha perceção, admitindo correção, é a de que se não abordarmos esta mundivisão política nas faculdades, com seriedade, rigor e verdade, não restará onde discuti-la. Até porque, se aprender a conviver é um dos pilares da educação, então também cabe à universidade desenvolver a compreensão mútua e o respeito total pelos valores do pluralismo.
Talvez esta seja a oportunidade que faltava para reiniciarmos o debate, sem os pirómanos do costume, sem “sprays”, “sound bites” e sem invadirem ou vandalizarem a universidade.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*